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A Tampa Vermelha

por Fernando Zocca, em 12.08.11

 

Deitado na rede, fixada na varanda, do rancho velho de pescarias, eu matutava, naquela manhã ensolarada de sábado, que: "apesar da empresa afirmar ter ampla oferta de benefícios aos clientes, suas limitações eram gritantes. Os fantasmas das 104 mortes, provocadas pelo enfermeiro, sócio tácito do pool das funerárias, rondavam insidiosos, a instituição".

No rancho, onde nos finais de semana, eu recebia os amigos, a sombra, água fresca, música boa, comida farta e saborosa, bem como o descompromisso com a seriedade, eram os elementos dominantes. No fogão velho encostado na parede sombria, Dentola cozinhava em fogo brando, naquele instante, o arroz e feijão; os peixes eram limpos, lá na beira do rio, pelo encarregado da tarefa.

Eu me achava tranquilo. Mas minha vida não tinha sido fácil até alguns anos antes. Acordava cedo e trabalhava muito; engolia sapos terríveis dos chefes pernósticos e inclementes; mal-e-mal conseguia pagar as contas de água e luz.

Essa fase, porém, foi substituída, por diversa, mais próspera e promitente. Eu comprara uma casa no valor de R$ 500.000,00 entranhada num condomínio restrito.

Apesar de ela situar-se noutro município, era mansão e tinha sete quartos. As más línguas, como sempre, não tardaram em asseverar que era a "Mansão das Sete Mulheres", numa alusão travessa, às minhas namoradas eventuais. Comprei também três carros bons e deixei definitivamente a dependência dos ônibus e seus horários.

O fato causador dessa mudança, verdadeira ascensão social, foi a minha elevação, de reles funcionário, simples e obsequioso, oriundo da mundiça catinguenta, à categoria de Comandante em Chefe do Departamento Comissional do honorável Sindicato Motorístico da Metrópole.

Mas você, meu astuto e criterioso leitor, sabe como é a inveja: basta verem que "neguinho ta subindo na vida" pra logo inventarem um monte de besteiras irrazoáveis. No meu caso disseram, aos quatro ventos, que as propriedades que possuo são incompatíveis com os meus vencimentos. Ora, veja!

E depois tem mais: não considero, e nem mesmo nunca considerei, as ajudas de custo que variavam entre R$2.600,00 a R$6.500,00 propinas tipo fecha beiço. Os tais teclados pérfidos eram terríveis; ainda mais quando afirmavam ser nossa diretoria seleta, subserviente à classe patronal. Eu pensava: "Eles mentem. O inimigo trama. Mas mesmo que ele trame tanto, que torne minha vida ao inferno, eu lutarei em defesa das minhas propriedades genuínas. Eles nunca provarão serem elas frutos das peitas malignas. Essa onda de maranhão só pode ser coisa de quem tem berebas no cérebro; de malucos".

Portanto afastei, naquele momento, os tais pensamentos ruins e voltei minha atenção para a beleza vitaminada que preenchia o minúsculo biquíni harmonioso estendido ali, sob o sol, no gramado circundante. Aqueles lábios carnudos, cabelos longos, densos e louros; olhos azuis e a peitama abundante, eram sim motivos bons e reais pra concentração prazerosa. Ela detinha nos dedos finos, da mão esquerda, uma tampinha vermelha com a qual brincava lascivamente.

Dentola que não me visse; mas ela emitia olhares furtivos, por sobre os óculos de sol, mordia o lábio inferior, premendo as coxas. Ela queria; precisava.

Olhei pela janela envidraçada e o mocorongo continuava nos afazeres do fogão. Gritei então pra que ele ouvisse: - Dentola! Nós vamos apanhar laranjas.

Com um gesto sutil de cabeça pedi pra que ela me acompanhasse. Cúmplices, tensos e vibrantes nos embrenhamos no meio da mataria. Isso sim é que era um vidão.

09/05/2003.

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publicado às 20:20

...

por Fernando Zocca, em 27.10.10

Uma gata chamada Rita

                              

 

                             Em meados dos anos sessenta, aqui no Brasil, quando fervilhava o movimento Jovem Guarda, surgiu para a alegria da rapaziada, uma jovem cantora italiana chamada Rita Pavone.

 

             Ela apresentou-se na TV Record, mas logo depois quase ninguém mais ouviu falar o seu nome. Um dos sucessos que a destacou foi Datemi un Martello, que sem dúvida nenhuma, ouriçou os cabelos dos censores do vigoroso regime militar brasileiro.

 

             Veja no vídeo um dos prováveis motivos pelos quais a artista italiana teve um sucesso efêmero no Brasil.

 

             Hoje, ainda bem, vigora o estado democrático de direito. As questões de ordem política são resolvidas no parlamento livre e soberano.

 

             As questões de direito, que se referem inclusive à família, encontram guarida no poder judiciário.

  

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publicado às 20:31

Trabalho & Lazer

por Fernando Zocca, em 06.09.10

 

 

                                               Quando estamos estressados podemos tornar-nos mais sensíveis para determinadas coisas. Por exemplo: a pressão no trabalho, que exige mais produtividade, pode tornar o calor ou os latidos dos cães insuportáveis.

 

                        Então as reações, que em tempos de calmaria, não seriam tão tensas, durante as fases de produção acelerada, significariam mal-estares horrorosos.

 

                        Para quem pode, uma viagem longa resolveria a situação problemática. Se você pudesse sair por algumas semanas veria que, ao voltar tudo estaria mudado. Ou quase tudo.

 

                        Ottawa no Canadá é uma cidade onde a temperatura, na maior parte do ano, favorece o uso de muitas roupas e por isso, não é raro ver em Londres, Paris ou Nova York, as tendências da moda, surgidas naquele país da América do Norte.

 

                        Fazem parte da forma de vida, no mundo ocidental de hoje, a produção e o consumo de bens. Ocorreriam sérios desequilíbrios se, por exemplo, alguém se dedicasse somente ao trabalho e não tivesse momento nenhum voltado ao lazer.

 

                        Por isso é sempre muito saudável o uso do tempo, nas atividades que trazem prazer. Mesmo que isso seja o simples dedilhar do hino do Corinthians no teclado velho.

 

                        Veja no vídeo abaixo, uma sátira à famosa linha de produção, de uma fábrica da década 30, do século XX.

 

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publicado às 15:02


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