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Folie à Deux

por Fernando Zocca, em 25.02.19

 

 

SN Sem Noção.jpg

 

Matraqueando mais do que repique de tamborim, Van de Oliveira Grogue entrou no bar do Bafão, naquela noite de domingo, e com o indicador da mão esquerda ereto, apontando pra cima, foi logo pedindo:

- Seu Bafão garanta já a sua noite de insônia e me conceda o mais precioso combustível sem o qual o nosso particular show da folie à deux não prospera.

Bafão que já estava nervoso com a papelada das contas mensais que se acumulavam dentro de uma caixa, num dos cantos do balcão, esfregou nervosamente o guardanapo no tampo da mesa em que o pinguço se sentaria e respondeu:

- Vossa pessoa veio pra beber ou pra conversar?

- Delícia de ambiente, todo bem decorado. O senhor caprichou hein bebê? Esta tudo muito bem. Só o seu sotaque está um tanto quanto que destoante.

- Que mané sotaque, meu? Sempre falei desse jeito e ninguém, até aqui, pôs reparo. Não é a partir de agora que isso será um problema – respondeu Bafão sem se preocupar com o fato de que poderia desagradar o freguês.

Saindo em direção ao freezer onde estocava a cerveja, Bafão percebeu que seu nervosismo, naquele momento, poderia embaraçar o relacionamento comerciante-freguesia prejudicando-o.

Mais pessoas chegavam conversando; paravam defronte ao balcão e assim que percebiam a atenção do proprietário do boteco, faziam os seus pedidos. Alguns se acomodavam às mesas, outros permaneciam em pé dispostos à bebericação.

Grogue murmurou, depois de obter seu litrão, colocado na mesa por um prestativo, mas estressado sofredor de halitose, também conhecido como Bafão:

- Tem certos momentos na vida que a pessoa passa a sofrer de ridiculite aguda. Essa inflamação no senso de ridículo demonstrando aquele estado de “sem noção”.

- Não me enche o saco Grogue.

O zunzunzum no ambiente estava denso; o ruído de copos e garrafas entremeava o som das vozes dos que conversavam. De repente, um cachorro preto, peludo, também conhecido como “o doidinho ululante da vizinhança” invadiu o boteco latindo a torto e a direito.

Correndo atrás do cão Delsinho Espiroqueta esgoelava o nome do bicho:

- Vem Magna, vem! Ai, minha Nossa Senhora!

Apesar do embaraço provocado pelos sapatos, bem maiores do que os pés do aflito perseguidor, ele ainda conseguiu alcançar o impulsivo cachorro, pondo-o no colo.

Zé Laburka que a tudo observava da sua janela estrategicamente semi-aberta numa parede lateral da sua casa de esquina murmurava com voz grave:

- Eu falei pra ele não usar minhas roupas e nem meus sapatos. Olha que coisa feia. Sapatos, calça e camisa bem maiores do que ele. Que vexame.

Sem conseguir dominar o cão latidor Delsinho soltou-o no meio da rua. Pra agonia dos transeuntes “o doidinho da vizinhança” viu-se, mais uma vez livre, bem leve e solto, pra atormentar as pessoas.    

   

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publicado às 15:36

Virtudes

por Fernando Zocca, em 24.09.15

 

 

A primavera chegou e as oportunidades para passar longos momentos ao ar livre estão favorecidas.

Desta forma a frequência às piscinas, praias, caminhadas, corridas e passeios de bicicleta está mais propícia para a manutenção da boa saúde.

Nessas situações o surgimento dos surtos de timidez causados pela expectativa da opinião das outras pessoas, sobre o nosso corpo, é mais comum do que se imagina.

Assim as manobras objetivando a evitação do bullying podem ser postas em prática.

A garota que tem a pele bonita, alva, a fim de evitar a zoação de quem se sente incomodada com isso, pode, de uma hora pra outra, descaracterizá-la com tatuagens inúmeras.

Além da camuflagem da pele, o alvo das atenções maldosas pode também, buscando livrar-se das mortificações, transformar os cabelos lindos, recebidos de uma herança genética admirabilíssima, em feitos satisfatórios da mais pura inveja e ódio alheios.

O pior acontece quando depois de mudados todos os atributos invejáveis, a crueldade, ao invés de cessar ou amenizar o assédio, aumenta terrivelmente.  

Eu considero tudo o que é original, isto é, nascido com a própria pessoa (inato) muito mais saudável, digno de admiração do que as transformações feitas na aparência invejável, que não tenham motivação profissional.

É claro então que a caracterização das personagens para as encenações no teatro, cinema e TV, não seriam tão depreciativas das qualidades naturais.

Por outro lado, há momentos em que não são reprováveis, de forma nenhuma, as modificações feitas em substituição das virtudes físicas dos que envelhecem.

Assim, as perucas, os óculos, as lentes de contato, os aparelhozinhos contra a surdez, as próteses dentárias, e as unhas postiças teriam a função de devolver às pessoas a autoestima combalida pelo desgaste do transcorrer dos anos.

Cada um faz o que bem entende da sua vida. Mas perseguir alguém depois de pegá-lo em armadilhas infames é fruto dos perversos, deficientes, que buscam, no sofrimento imposto à vítima, a compensação da ausência dos atributos que julgam não ter.   

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publicado às 21:57

Os Furtados

por Fernando Zocca, em 21.01.13


 





A deficiência intelectual não é só um sério limitante do bem-estar dos seus portadores, mas também dos que lhes estão no entorno.


A base genética, mais os hábitos familiares nocivos, tornam os indivíduos refratários à alfabetização, mantendo-os num estágio tão primitivo, ou até mais degradado, do que o dos símios.


E é claro: quem se aproveita disso são os mais espertos, geralmente aqueles políticos agarrados aos ubres públicos por gestões e gestões infindáveis.


Há quem entenda que o exercício do papel de vereador seja uma profissão.


E o que mais faria uma pessoa pensar assim, além do fato de estar lá na câmara há tanto tempo?


Não seria o prazo de validade tão alongado, do tal mandato, que a faria confundir a função legislativa com a relação de emprego numa empresa qualquer?


Mas engana-se muito aquele que acha ser o tal sortudo, ocupante da sinecura, um solitário.


Na verdade os seus apoiadores são tantos que se não houver a prática do desvio do dinheiro público, a satisfação financeira do tal "eleitorado" se frustrará.


Perceba que, com a base apoiadora insatisfeita, até mesmo o cargo do esperto estará ameaçado.


E nesta politicazinha suja do interior vale tudo: desde a sedução até a ameaça de lançar contra os furtados, as religiões, os fiéis e suas crenças.


Mais vale, para o político incompetente, a manutenção da ignorância, da deficiência dos transportes públicos, da saúde, e da insegurança na cidade, do que resolver isso tudo e deixar de revolver a argamassa.


Mas, creia, a deterioração da educação, dos transportes, da saúde e da segurança, existe mais por incapacidade, incompetência e mediocridade dos atuais ocupantes dos cargos eletivos do que por outro motivo qualquer.


Isto é inegável.

 

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publicado às 12:16

Falta de Educação tem Cura?

por Fernando Zocca, em 02.10.12

 

Governo ruim é um problema. E isso você constata pela capacidade que ele tem de resolver as pendengas.


Tem orientação política que, não sabendo como lidar com o emaranhado da problemática, simplesmente nega a existência dela.


Outras ainda aceitam a vigência de pontos conflituosos numa cidade, mas apresentam soluções inexequíveis, deixando a coisa toda do jeito que está, ou até piorada.


Mas há administrações tão atrapalhadas, confusas e desorientadas que ao lidarem com os conflitos torna-os crônicos, em prejuízo do bom conceito da localidade que gerem.


Os governos municipais péssimos não deixam de ser aqueles que priorizam as tais obras voluptuosas de concreto, em detrimento da alfabetização de adultos, por exemplo.


Como é que você pode negar que as atitudes hostis, incivilizadas e toscas, não sejam mais produtos da ausência do conhecimento da palavra escrita, do que de outros fatores como os genéticos?


Uma cidade com índices muito expressivos de pessoas mal comportadas, desrespeitosas, reflete o nível da orientação politica medíocre, voltada para a socialização dos seus cidadãos.


Na verdade, queira saber, o meu nobilíssimo leitor, que os senhores ainda hoje ocupando os rendosos cargos públicos, não estão nem um pouco preocupados com a incivilidade, a grosseria ou os maus modos das pessoas.


O que os caras querem é, antes de tudo, apresentar serviços que não sejam muito vulneráveis às críticas, e se possível, forrar as malas, com os pacotes imensos de dinheiro arrecadado com os impostos.


Não tem, no presente momento, e nesta localidade, instituição municipal eficiente, que se dedique a transferir conhecimento socializante, a pessoas comprovadamente portadoras de deficiência intelectual.


Os maus administradores, ao invés de apaziguar as regiões em conflito, vangloriariam-se da habilidade própria de "botar lenha na fogueira" pra "ver o circo pegar fogo".


"Ninguém está nem aí com ninguém”, me disse numa ocasião, um dos responsáveis pela reeleição dessa corrente política que está no poder hoje em Piracicaba.

  

Quem teria tempo e saúde para, despertando o interesse, por exemplo, pelas sagradas escrituras, fazer baixar espíritos amenos e concordes, nas regiões críticas da cidade?


Falta de educação tem cura?


Você pode amenizar os comportamentos psicóticos com a educação?

 

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publicado às 12:46


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