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Agarrando a chance

por Fernando Zocca, em 23.10.14

 

 

 

 

Mônica e o desperdício.jpg

 

Parece mentira, mas ainda tem gente que não acredita que o Estado de S. Paulo passa por um período de estiagem quase nunca antes visto em toda a sua história.

Digo quase porque, falta de chuva desse jeito, só aconteceu há mais de meio século atrás. 

Em 1969 quando astronautas pousaram na lua pela primeira vez, muitas pessoas não acreditaram, e até hoje ainda tem quem creia que aquelas imagens todas, feitas pelas câmeras, eram o resultado de montagens e efeitos especiais. 

E quando os telejornais mostram represas, rios, lagoas, locais destinados à captação e reservatórios de água, completamente secos ou em vias de seca completa, você ainda acha quem diga que não passam de efeitos especiais da televisão. 

Então mesmo com as autoridades pedindo para as pessoas economizarem água, ainda tem aqueles que teimam em lavar calçadas, os carros, as garagens não se importando com o tempo e nem mesmo com a quantidade do líquido que empregam nas tarefas.

Mas há também quem fique bem confuso com algumas decisões administrativas malucas como aquela da "autoridade" que pede ao povo que economize, mas vende a água para um município vizinho. 

E, quando o eleitor pergunta "Afinal, senhora dona autoridade, a senhora pede pra gente não gastar, mas a senhora mesmo vende o resultado da economia a outros", ele não ultrapassa nenhum limite.  

Não são poucos os que dizem ter a tal decisão administrativa o objetivo de "fazer caixa" pra pagar as dívidas das campanhas dos candidatos correligionários derrotados.

Mas mudando o assunto, de pato pra ganso, gostaria de falar sobre a dúvida que algumas pessoas têm sobre aquela passagem específica dos Evangelhos, que dizem ser Jesus um causador de divisão. 

Pra gente entender esse momento evangélico, devemos nos situar naquele contexto histórico em que aconteceram esses fatos. 

Na Judéia o poder político era exercido por Herodes. Sobre ele pairavam as legiões romanas, que impunham suas regras, impostos e muita opressão. 

Nas sinagogas Anás e Caifás (genro e sogro) conduziam as cerimônias mais no sentido de adaptar-se ao momento politico existente e fazendo cumprir as tradições religiosas.

Faziam partes dos costumes sacros daquele tempo, ali naquele local, os sacrifícios de animais com objetivo de purificação dos pecados. 

Perceba que há um comércio direto entre o templo e os fiéis quando ocorrem as aquisições das vítimas das imolações. 

Então quando Jesus propõe a substituição dos sacrifícios pela misericórdia aos pecadores, Ele simplesmente inova uma tradição, que vinha de muitos e muitos séculos e tinha a aceitação de todo um povo. 

Ora, quando Jesus começa a ter seguidores, é claro que ele instala uma divisão entre os que professavam os sacrifícios, como forma de purgação, e todos aqueles que perceberam estar na misericórdia, a verdadeira salvação da alma, tanto do pecador quanto da sua suposta vítima.  

Então é sim verdade que, num determinado momento, Jesus foi o marco divisor. 

Entre nós cristãos aqueles que não professam o espírito de Jesus, contido nos Evangelhos, não são ainda portadores das boas novas inspiradas pelo Cristo. 

Faz parte do nosso rumo ao progresso espiritual, pessoal e profissional, a chance da obtenção da graça de podermos ver em Jesus Cristo o verdadeiro modelo de vida. 

É bom não perder a oportunidade. 

 

 

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publicado às 20:32

Ralo Abaixo

por Fernando Zocca, em 07.11.13

 

 

 

 

Será que você meu amigo, minha amiga e senhora dona de casa está entre aquelas pessoas que ficam se lamentando pelos fatos acontecidos no passado e não conseguem viver plenamente o presente?


Se a resposta for positiva saiba que não deveria ser novidade para você o fato de haver a necessidade daquela ajudazinha especializada.


Não seria assim tão normal a mente que não esquece, ou atribui importância exagerada, ao passado condenador. Na verdade é mesmo bastante difícil para ela esquecer o que já passou.

 

Mas se o comportamento na vida cotidiana está desarranjado, prejudicado, pelos fantasmas do que era antes, então não restaria alternativa - já dissemos - do que a de buscar métodos terapêuticos salvadores.

 

O aconselhamento psicológico pode ser aquele algo a mais que falta para a pessoa ressentida, conseguir desfrutar a vida em sua plenitude.


Se o passado condena, por que não revisitá-lo "espiritualmente" a fim de liberar aquelas emoções negativas entulhadas, e desonerar as estruturas combalidas pelos equívocos?

 

As terapias existem - graças a Deus - para o conforto e a salvação da alma, do espírito; para as mentes amarguradas que não têm sossego; que não podem se achar em momento algum de paz.


Quando ela, a infernização acontece, nem mesmo os familiares mais próximos desfrutam da harmonia, do entendimento e da compreensão.


Parece que se o perturbado não incomoda a ninguém não será feliz, não se sentirá bem.

 

Na verdade o mentalmente atrapalhado só estará confortável com o desassossego dos outros. Pessoas vingativas são assim.


A solução para este "nó" - veja bem - seria a chamada sublimação daquele ódio todo contido e prejudicial.

 

Há quem diga que se deve lavar a alma assim como se lava o corpo. 


Observe uma criança no chuveiro, tomando banho. Geralmente ela está imunda, depois de passar o dia todo na rua brincando ou fazendo travessuras.


Ao chegar em casa, toda suada, mal cheirosa e agitada, como dar a ela o café da tarde se não lavar antes as mãos, os pés ou todo o corpo emporcalhado?


A terapia está para a alma assim como o banho, com água e sabonete, está para o corpo. Sem a higiene corporal e mental não se pode viver plenamente. 


"Coitadinha de mim, por causa daquele acontecimento infausto sou assim, bastante infeliz", é a postura mental comum de quem não deixa de atribuir aos outros os próprios fracassos.

 

Desapega.

 

Lave seu corpo e sua alma. Deixe os problemas do passado descerem ralo abaixo. 

 

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publicado às 17:43

A árvore dos frutos de ouro

por Fernando Zocca, em 24.10.13

 

 

Da mesma forma que os ovos têm na sua composição os elementos da ração ingerida pelas galinhas, os frutos das árvores podem conter os elementos acrescidos aos adubos.

 

Vi numa reportagem do telejornal Hoje que os eucaliptos de uma região do sul da Austrália, plantados num solo onde havia minas de ouro, tinham nas suas folhas partículas do mineral.

 

Segundo a reportagem, as raízes das árvores desciam até o subsolo onde absorviam a água em que havia o ouro.

 

Os pesquisadores colhiam as folhas, trituravam-nas e, com as técnicas posteriores desenvolvidas, obtinham grandes quantidades do metal precioso.

 

Ora, se as plantas possuem na sua composição biológica partes do material inanimado existente no local, que na verdade é o resultado da sua "alimentação", por que não "aditivar" os adubos das árvores frutíferas, da mesma forma com que é feito com a ração destinada às aves e aos mamíferos?

 

Já imaginou o tipo de fruta produzida naquele terreno cuja adubação pode ser mais rica em ferro, cobre ou outro mineral específico?

 

Os pesquisadores sabem que as experiências devem ser feitas com dois grupos semelhantes.

Num deles deve-se aplicar o adubo especial enquanto que no outro, o de controle, os cuidados são somente os usuais, comuns, do tipo dos tidos até o presente.

 

Quando eu era moleque gostava da história infantil na qual havia um rei que ao tocar as coisas as transformava em ouro. Havia outra em que um fazendeiro muito pobre possuía uma galinha que botava ovos do mesmo mineral.

 

Sem entrar no mérito das mensagens morais das histórias eu me indagava se poderiam existir aves que botassem ovos daquele tipo.

 

Do jeito que caminha a ciência, a tecnologia e a evolução humana na terra, não dá mais para duvidar que possa haver a galinha dos ovos enriquecidos.

 

E se há as galinhas dos ovos com ouro, por que não haveria as árvores dos frutos de ouro? 

 

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publicado às 15:37

A Viagem

por Fernando Zocca, em 09.06.12

 

 

 

A menina aproximando--se lentamente do leito de morte, da velhinha querida e, vendo inserido, numa das narinas dela, aquele longo tubo fino de borracha, que saia de um orifício da parede, acima da cabeceira da cama, sentiu um forte desejo de saber o que era.

- Olha, não mexa nessa cânula, que é oxigênio, ouviu?  E não faça barulho se não você vai acordá-la. - decretou a enfermeira, que acabava de chegar, depois de saber que a paciente, sob seus cuidados, recebia a visita de uma criança.

A guria, com a experiência que lhe proporcionava os nove anos de vida, nada respondeu.

Quando ficou só, a neta percebeu que a avó abriu os olhos dirigindo-lhe em seguida, o olhar que expressava serenidade.

- Oi vó. - disse timidamente a garota, cujas mãos estavam geladas.

- Oi, bem. Você por aqui? Cadê sua mãe?

- Ela está lá na portaria do hospital, conversando com a mulher do escritório. A senhora melhorou?

- Estou bem. Eu me preparo agora para o fim da viagem, a grande viagem.

- Como assim vó? A senhora vai viajar?  Pra onde? - quis saber a jovem sentindo alguma alegria.

- A vida da gente é quase igual a uma viagem, às vezes, longa, outras vezes, bem curta. Sabe... Tem o ponto de partida, o transcurso e depois o fim, a chegada.

Sem poder compreender o que dizia a avó, a menina calou-se entristecida.

- Você sabia que quando nascemos todos os nossos entes queridos riem de satisfação, e só a gente chora?

Espantada, a jovenzinha fixou o olhar, na face tranquila da idosa.

- Olha meu bem... Viva a vida de um jeito que, quando você morrer, todos os que te amam chorem, e só você sorria. Entende?

Percebendo que a avó fechou novamente os olhos e, ouvindo a sororoca que principiava a menina com medo, deu um passo pra trás.

A mocinha sentiu e voltou-se assustada, quando alguém lhe tocou, levemente, o ombro direito.

- Vamos embora. Não podemos fazer mais nada. - disse-lhe a mãe, com a voz num tom baixo e bem triste.

Depois de fecharem, com muito cuidado, a porta do quarto, mãe e filha caminharam, devagar e juntas, pelos gélidos corredores vazios do hospital, em direção à saída ensolarada.

Ao trafegarem pelo pátio, passaram por um chafariz, ornado com dois peixes brancos de mármore, e donde jorrava também, para cima, alguns fiozinhos de água.

No tanque, a transparência da água deixava ver os três pequenos peixes vermelhos, que serpenteavam submersos.

 

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publicado às 20:11

Insuflando as Velas

por Fernando Zocca, em 09.04.11


 

                    - A impressão que a gente tem é que a maioria dos políticos possui muita habilidade em resolver só seus problemas pessoais. Nada mais que isso. – disse Wilson Regente depois de se sentar ao lado de Janaina na praia deserta.

                    A moça, trinta anos mais jovem do que ele, acomodada sobre a canga colorida, alisava os cabelos úmidos. Ela chegara mais cedo ao local do encontro, combinado na noite anterior.

                    - E você acha que eles deveriam resolver os problemas de quem mais? – inquiriu ela passando, lentamente, protetor solar nos braços.

                    Regente notou que o céu estava nublado e nem o mormaço era suficiente para avermelhar a pele.

                    - O vento está bem chato. – concluiu o músico, cofiando a barba longa, depois de ajeitar os cabelos que lhe cobriam os ombros.

                    - Já fazem muita coisa se conseguem resolver os próprios problemas. – Janaina percebeu o desconforto dos lábios ressecados, umedecendo-os com a língua.

                    - A conciliação, às vezes, fica difícil. A gente envelhece e não consegue demonstrar simpatia, arrependimento ou dar qualquer outro sinal de que não deseja tanta guerra.

                    - Sabe o que eu acho? As pessoas próximas de quem litiga assim, por tanto tempo, não são tão hábeis nessas questões de apaziguamento. – reforçou ela.

                    - Eu estou bem arrependido de ter socado a mesa do cara. Você sabe: achei que era muita exploração. A gente se dedica tanto nas composições e depois vem esse desprezo do produtor. É foda! Você viu, não é? Investi o valor de um carro importado no CD e o que a gente tem de volta?

                    - Cara! Não é nada disso. Você está buscando simpatia, reconhecimento, algo de fora, de outro alguém. Não é por aí. – indignou-se Janaina.

                    - Na verdade estou me doando, me entregando, aderindo ao seu progresso, sucesso, insuflando a sua vela e não espero nada de volta. É assim que deve ser? – perguntou o amigo com alguma tristeza no semblante.

                    - Eu penso que seja assim. Haveria, por acaso, outra maneira de não vivenciar tantos tormentos?

                    Wilson aproximou-se dela enlaçando-a com os braços. O beijo ardente só foi interrompido pelo vendedor ambulante que oferecia biscoitos e água fresca.

09/04/2011.

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publicado às 14:46


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