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A Herança

por Fernando Zocca, em 16.04.10

                                Minha tia Olanda Zocca nasceu no dia 19 de fevereiro de 1913, aqui em Piracicaba, tendo falecido aos 19 de setembro de 1996. Era irmã do meu pai Fúlvio e, do seu casamento com o açougueiro João De Lello teve dois filhos, Roque e Arthêmio De Lello.

                               Arthêmio quando moço trabalhou na rádio Difusora de Piracicaba fazendo reportagens de campo durante os jogos do XV de Novembro. Aliás, o Roque também passou uma temporada naquela rádio onde era discotecário.
                               Roque  inspirado nos arquivos da emissora formou imensa coleção de discos, daquelas orquestras do estilo de Glenn Miller, das décadas de quarenta e cinquenta.
                               Antes de ingressar na Difusora Arthêmio formou-se contabilista na escola técnica de contabilidade Cristóvão Colombo, ou Zanin, como era popularmente conhecida. Esse meu primo é um torcedor fanático do XV professando também sua paixão pelo Corinthians.
                               Meus primos, tia Olanda, a avó Amábile e o tio Bruno Zocca, residiram por muito tempo à Rua Ipiranga, esquina da Rua Governador Pedro de Toledo. Naquela casa havia um anexo cuja fachada ficava na Governador. Ali meu avô José Carlos Zocca, nascido aos18 de setembro de 1892, tinha um açougue.
                               José Carlos faleceu em Piracicaba, segundo informam, de um infarto no dia 26 de janeiro de 1943, quando na Europa acontecia a II Guerra Mundial. Por ter origem italiana igual a seu pai, João Ulisses Zocca, meu bisavô, deve ter passado por maus momentos durante os anos que antecederam a sua morte.
                               Quando Getúlio Vargas visivelmente favorável aos Nazistas, mostrava-se convicto dos seus propósitos e apoiava os alemães, a colônia italiana em Piracicaba não sofria qualquer tipo de assédio moral. É bom dizer que a Itália, naquele tempo, governada por Benito Mussolini, era aliada dos alemães.
                               Segundo me contou minha prima Maria Cleusa Adâmoli, José Carlos possuía um busto do Benito na sala, e colecionava cédulas italianas do período.
                               Mas quando Getúlio Vargas, depois de ganhar a usina de Volta Redonda dos norte-americanos aliando-se a eles, os simpatizantes do “Dulce” em Piracicaba passaram a ser vistos com mais reserva. Compulsando os jornais daqueles dias pode-se perceber claramente as alusões veladas feitas aos italianos e japoneses.
                               Imagine como era o dia-a-dia de um comerciante no centro da cidade, cujo pais de origem  representava o papel de vilão, num episódio conturbado na história da humanidade.
                               Pode até ser que a pressão social tivesse influído na morte de José Carlos. Ele faleceu deixando uma herança geradora de muitas encrencas durante muito tempo.
                               Não tenho certeza, mas presumo que na véspera do Natal de 1953, talvez na noite do dia 24, tenha havido uma discussão forte entre meu pai Fúlvio e seu irmão Bruno que era alcoólatra e vivia bêbado. Essa quizila teria motivado a mudança de Fúlvio, minha mãe Daisy e eu, com três anos de idade,  em meados de 1954, para  uma casa do espólio, situada à Rua Benjamim Constant.  A ocupação do imóvel tinha a anuência da viúva Amábile, mas não a dos demais herdeiros.
 
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