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Desabando forro abaixo

por Fernando Zocca, em 11.02.10

 

          Depois que se recuperou do susto levado quando Jarbas, Tendes Trame, Zé Lagartto, Fuinho Bigodudo e outros, completamente bêbados, caíram num buraco com o seu Jipe 4 x 4, Van Grogue voltou para casa.
            No dia seguinte, sentado no sofá, vendo o telejornal da tarde, ele ainda pensava no assunto quando sentiu sede. Imaginou abrir uma cerveja, mas o nhenhenhém da esposa Malu K. Grogue, não o deixava em paz.
            Ela insistia em saber tudo sobre o acontecido. Desejava conhecer os detalhes, as minúcias, pois considerava haver má intenção daquelas pessoas que teriam promovido a ocorrência.
            Foi tanta a falação que Van de Oliveira, sem desejar discutir com a mulher, inventou ter encontrado um defeito no telhado. Dizendo a ela que precisava subir para fazer reparos, pegou com carinho, a sua velha e querida caixa de ferramentas, guardando nela, de forma sub-reptícia, algumas garrafas de cerveja.
            Van encostou a escada no beiral do telhado iniciando a subida. Malu K. Grogue ficou embaixo olhando para cima.
            - Aproveita que você está ai embaixo e avisa o Zé K. Della que já mandei limpar o caminhão baú que estava lá na oficina. Tem um estofado lá dentro, se ele quiser aproveitar de novo, diga que está às ordens. – falou Van enquanto ascendia.
            - Você acha que termina esse conserto ai em cima ainda hoje? – quis saber Malu.
            - Acho que sim. Aproveita pra ligar para o homem da bigorna e daqueles macacos sagüis. Diz que o bidê não ficou bom. Ele tem que refazer o serviço. Ah, avisa o Zé K. Della que o gorducho bigodudo e o mocinho alegre, da Companhia de Luz desejam falar com ele.
            Dizendo isso Grogue subiu ao telhado, armou sua cadeira de praia e, pegando da caixa de ferramentas a cerveja que havia escondido, preparou-se para degustá-la.
            Mal tomou o primeiro gole Van percebeu que na cobertura vizinha, alguém seguia seus passos, fazendo o mesmo que ele fazia. Grogue achava aquela figura muito invejosa imitando-o em tudo. Eles trocaram cumprimentos e se admiraram por terem a mesma ideia ao mesmo tempo.
            Formou-se um silêncio semelhante a esses que ocorrem nas salas de aulas quando o mestre, conseguindo monopolizar a atenção dos alunos, mantém a classe toda como se estivesse hipnotizada.
            De repente ouviu-se um barulho horrível. Van mal podia acreditar que outro vizinho, uma figura infantil e descontrolada, ao subir também sobre as telhas da casa, pisara em falso, desabando lá de cima sobre todos que estavam em baixo absortos.
            A confusão foi geral. Um corre-corre instalou-se e a ocorrência foi registrada nos anais da história como o primeiro caso de molecagem, daquele tipo, ocorrida em Tupinambicas das Linhas, durante toda a sua existência.
            Desde a fundação da cidade até aquele momento, ninguém conseguira atravessar o telhado e o forro de um imóvel, indo parar diretamente na sala.  Isso era incrível.
            Só em Tupinambicas das Linhas e com certos habitantes, coisas daquele tipo aconteciam.

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