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A toada

por Fernando Zocca, em 13.10.09

 

            Falta de respeito, de educação. Assim é que se define a atitude dos saciados zombadores frente àquilo que pra eles nada pode significar. Mas o que se pode esperar para  quem rouba, sem ser roubado, destrói sem antes ter sofrido a destruição?
            Por que agiria de forma tão deletéria o comportamento diruptivo? Estaria o tal agente sujeito pelas pressões insustentáveis a ponto de sair agredindo, ou agiria sob o manto da vingança?
            Atua de forma legítima o indivíduo que, a guisa de defender um irmão prejudicado, direciona seu repertório de maldades, contra o filho indefeso do prejudicador?
            A mãe atarefada, atribulada nos afazeres do lar, insensível ao fato de que se torna tão ou mais importante ouvir do que manifestar-se, não seria eximida da culpa pelos acontecimentos futuros desagradáveis que acometeriam sua prole?
            Pode alguém não ter consciência de que promessas podem ser quebradas, esperanças frustradas, ou um desejo ardente insatisfeito, por incúria no manifestar-se e negligência no ouvir?
            Quem negaria que as paredes têm ouvidos e que há milhões de ouvidos emparedados, insensíveis às realidades do dia-a-dia? Há aqueles que fechados em si mesmo, fascinados, absortos, não se preocupariam com as palavras emitidas, não podendo crer que elas gerariam tragédias pessoais indeléveis.
            Não podemos nos esquecer que não estamos sós. Mesmo no lar, entre as paredes, existe a percepção dos acontecimentos. Os passarinhos verdes das palmeiras, ávidos de novidades, se encarregariam de levar aos outros pássaros verdes, também das palmeiras, as novas sobre as nossas atitudes.
            Há quem tenha consciência disso tudo e, no seu proceder verbal utilize manobras objetivando confundir os emplumados. Mas não podemos nos esquecer que a percepção é um fenômeno fisiológico. Assim como a acuidade visual varia de pessoa para pessoa, todos os demais sentidos, como a audição e o tato, são mais desenvoltos em uns do que em outros.
            É importante que saibamos que as toadas prejudiciais nascem também do que coletam os tais passarinhos verdes das palmeiras. Os compromissos firmados com a moral, os bons costumes, a religião, a religiosidade, não poderiam ser esquecidos ante as novas perspectivas que surgem no horizonte.
            Mas seriam moralmente condenáveis, os pássaros verdes das palmeiras, que ao coletarem as gotículas vaporosas esvoaçantes, as levassem para alimentar a toada dos outros bípedes de penachos?
            Não daríamos motivos para fofocas mortais, destruidoras, se tivéssemos mais cuidado com o que dizemos. O futuro, a saúde, o bem estar, o trabalho, as amizades e todos os demais valores estão sujeitos ao que expressamos, seja em público ou entre as quatro paredes.
             

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publicado às 18:21



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