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As aventuras do doutor Brócolis

por Fernando Zocca, em 15.07.09

O espandongado ganhara um requifife e com ele assim exposto, desfilava pelos corredores, tal qual o pavão, a exibir-se.

 
Ele tinha cara de maluco, e por ter nascido em Tupinambica das Linhas, carregava na carranca, a fim de provocar um certo sentimento de respeito naqueles que o vissem.


Na verdade faltava pouco para o tal doutor Brócolis sair feito uma frenética, num grupelho particular, no desfile glorioso da parada do orgulho gay. Ele era uma gazela.


Sua personalidade tinha certos traços do Durango Kid, Roy Rogers ou mesmo do Django. Se vivesse no velho oeste, certamente circularia, com sua arma exposta na cintura, à caça dos bandidos, que prenderia, em troca das recompensas.


Apesar da grosseria, tinha momentos de encanto e numa certa ocasião, disse assim para uma secretária, que viu nele o príncipe encantado: "Olha gatinha, poder sair, eu não posso, mas dormirei, esta noite, contigo em mim".


Mas não era mesmo uma graça o donzelo?


O mundo inteiro sabia ser Tupinambicas das Linhas o lugar do universo concentrante da maior quantidade de loucos jamais vista junta, durante todo o transcorrer da história da humanidade. E o doutor Brócolis era da terra, um dos expoentes máximos.


Brócolis tinha relações estreitas com os integrantes da seita maligna do pavão-louco. Um diferencial porém distinguia os integrantes do grupamento maligno com a figura individual do doutor verdura. É que o bumbum da hortaliça era arrebitado e rechonchudo. Alguns teclados peçonhentos atribuíam aquelas curvas carnudas às massagens que a figura fazia, no traseiro, antes de se deitar.


Seu rosto afogueado sempre indicava estar ele sob pressão dos credores. O doutor gazela sentia horror, e calafrios percorriam-lhe o corpo, à simples idéia de estar devendo algo para alguém.


Mas Brócolis tinha uma peculiaridade: ele gostava de rim. E vivia mascando rins durante os almoços intermináveis que proporcionava, à sua turma, na beira da piscina particular. Era corrente, a idéia entre as moças casadoiras, de que se desejassem conquistá-lo deveriam, depois da aproximação, perguntar: "Você masca rim?"


Suas vizinhas, naqueles tempos de antanho, perceberam que o doutor verdura seria da "muléstia", quando crescesse, depois que numa brincadeira com as meninas, disse desejar ser médico na casinha do rá-bim-pum.


Quem visse o doutor Brócolis, durante uma argumentação acalorada, com seu dedinho, indicador direito em riste, dizer ao interlocutor: "Vamos e venhamos, entremos e saiamos", certamente teria chiliques espasmódicos de risos com tanta afetação.


Se não fosse nativo do local, o preclaro doutor Brócolis corria o risco sério de ser agraciado com uma comenda ou título de cidadão Tupinambiquence, outorgado pela valorosa classe dos componentes da venerável câmara municipal de Tupinambicas das Linhas. 

 

 

Fernando Zocca.

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publicado às 14:51



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