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O Pinto no Lixo

por Fernando Zocca, em 09.06.12

 

Mas ora veja você meu queridíssimo leitor: como é que pode a insensatez de um só, prevalecer sobre a sanidade dos demais, proporcionando com isso a exteriorização das maldades?

 

"Faça-nos o favor!", imploraria a vizinha já idosa e cansada de tanto sofrer.

 

"Por que tanta judiação?" talvez respondesse o filho da debilitada senhora. "Qual patologia perturbaria tanto assim, aquele indivíduo insistente em depreciar e maltratar as pessoas, que lhe estão próximas?"

 

Com certeza haveria terapias específicas pro achacadiço que perturba o sossego alheio. Mas é preciso saber se o atendimento especializado interessa aos parentes do tal achacoso.

 

Sim, porque pode até ser interessante pros camaradinhas, atualmente ocupando os cargos eletivos, que o tal mórbido, aja impunemente contra os que expressam opiniões opostas ao seu governo, como forma de retaliação política.

 

Mas não é?

 

Se assim não fosse como explicar a impunidade dos malucos que de repente, sem mais nem porque, investem contra o vizinho, lançando no ar solventes de tinta, vibrando-lhe as paredes com um compressor, por horas e horas seguidas?

 

É assim: dá na telha do maluco, e os vizinhos que suportem a maldade em forma de spray de tinta e solventes, pra pintar automóveis.

 

E depois dessas aprontadas, fica o morfologicamente prejudicado, feliz tal qual o pinto no lixo.

 

Não há a quem se possa recorrer. Enquanto isso, na terra de ninguém, todo mundo pensa em como garantir a certeza do voto do eleitor, que lhe propiciará as alegrias das mutretas, por mais quatro anos.

 

 

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publicado às 03:15

A Rotina da Cidade

por Fernando Zocca, em 05.06.12

 

Cena 01/interior/dia

Fechado dentro do seu gabinete, na câmara municipal, o vereador presidente da casa está nervoso. Aflito ele olha pro filho que espera dele uma solução.

Vereador:

- Noi precisamo fazê arguma coisa. Assim não dá mais. Assim não pode.

Filho:

- O que noi vai fazê pai?

Vereador:

- Tá sujeira. Negadinha já tá sabendo que noi robamo os notebook e parte do dinheiro da merenda escolar.

Filho:

- Mas e dai? O que noi vai fazê?

Vereador:

- Vamo fazê uma simpatia.

Filho:

- Como assim, pai?

Vereador:

- É. A coisa tá suja. Noi precisa limpa tudo. Noi precisa de muito sabão e detergente. Vamo fazê o seguinte: hoje à noite noi vai alivià a fábrica de sabão do João Mané. Noi vai carrega o que for possível e depois noi vende esse produto lá em Minas. Quem sabe dá certo.

Filho:

- Será, pai?

Vereador:

- É craro. Convide seu irmão e seu primo pra noi fazê o serviço hoje a noite. Falô?

Filho:

- Falô, pai.

 

Cena 02/interior/noite

O vereador, seus dois filhos e um sobrinho, colocam caixas de detergente e sabão dentro de um carrinho de mão, que pretendem levar pra caminhonete, estacionada nas sombras do estacionamento interno da fábrica.

Vereador:

- Vamo rápido, molecada. Chega de sujeira.

O filho:

- Num sei não, pai. Acho que vai melar.

Vereador:

- Melar nada. Roubar todo mundo rouba.

O sobrinho:

- Tio, acho que o caldo vai engrossar. Parou um carro ali fora. Deve ser os home.

Vereador:

- Será?

 

Cena 03/exterior/noite

Dois agentes da Guarda Municipal saem da viatura apontando suas armas.

Guarda Municipal:

- Estejam todo mundo presos.

Filho:

- Eu num falei, pai?

Vereador falando baixo:

- Que nada. Eles aceita um mimo.

Guarda:

- Negativo inoperante. Conosco ninguém podosco. Vai todo mundo em cana.

Chega mais uma viatura da polícia. Os guardas algemam e colocam os presos dentro do camburão.

 

Cena 04/Exterior/dia

Um grupo de homens reunidos na praça comentam as últimas notícias sobre a prisão do presidente da Câmara Municipal.

Velho de cabelos brancos:

- Mas que vergonha! A gente votamos nesses caras e olha aí no que dá. Tá vendo só?

Velho de cabelos pretos, paletó e um jornal na mão:

- Esse assunto não compete a nós. Isso é coisa de armação política. Eles que se entendam. A gente não tem nada com isso.

Silêncio geral. O grupo se dispersa. No rádio a notícia de que o juiz concedeu o alvará de soltura para os presos, traz de volta a rotina da cidade.

 

Zoom da câmera no relógio da matriz que faz soar as doze badaladas do meio-dia.

 

Fim.  

05/06/12

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publicado às 14:17

A Arrogância dos Saciados

por Fernando Zocca, em 03.06.12

 

 

As eleições municipais estão aí e é chegada a hora de você escolher pra quem vai dar as tetas públicas durante os próximos quatro anos.

São 48 salários (mais os esquemas de corrupção), verbas de gabinete, motoristas particulares, e mordomias, jamais imaginadas pelo eleitor.

A mamata é tão boa que tem gente que se especializou no ramo. Tem vereador, deputado federal, estadual e prefeito que não consegue pensar em outra forma de subsistência que não seja essa do cargo eletivo.

E o pior não é isso. O pior é que quando os caras estão há tanto tempo usufruindo dessas riquezas, eles se desconectam da realidade do eleitor que os mantém.

Os sujeitos, saciadíssimos e enfadados, tornam-se arrogantes, insensíveis e maldosos.

Quando atingem esse estágio de cronificação, eles não pensam em mais nada que não possa lhes assegurar a continuidade do fluxo das riquezas vindas do povo.

Aqui em Piracicaba você tem exemplos notórios: veja esse senhor João Manoel dos Santos. Há quanto tempo ele viceja na câmara municipal? E José Aparecido Longatto?

Na câmara dos deputados federais Antônio Carlos Mendes Thame envelheceu consumindo a seiva oriunda do labor popular.

Barjas Negri, apesar de envolvido no esquema vergonhoso conhecido como o escândalo das sanguessugas (Planam, Cicat, Abel Pereira, ambulâncias), foi eleito e reeleito prefeito de Piracicaba.

Esse fato é o mesmo que dizer “as investigações sobre corrupção aqui em Piracicaba não dão em nada. E besta é aquele que não aproveita pra levar o seu enquanto pode”.

Campinas, Limeira e centenas de outras cidades pelo Brasil todo, tiveram seus políticos investigados.

Por que não os de Piracicaba?

 

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publicado às 10:00

O Gato e o Rato

por Fernando Zocca, em 03.06.12

 

A política em Piracicaba é esquisitíssima: há décadas sustenta um lonGATO e agora, nas vésperas das eleições municipais, surge o tal de ferRATO.

E os eleitores, mais por serem obrigados a votar, do que por idealismo, sempre dão a essa gente, o direito de usar e gozar as delícias pagas com o dinheiro do povo.

Será a continuidade das festas do gato e do rato. Eles com certeza armarão as maiores estripulias, tão alegres e felizes, quanto os desenhos animados que retratam os dois bichinhos.

O tráfico de influência aqui nesta urbe é tão vergonhoso que praticamente não existe oposição ao executivo.

O legislativo piracicabano dança vergonhosa e servilmente conforme as músicas tolas, executadas por Barjas Negri (PSDB), e seus apaniguados.

Perceba que Barjas Negri foi ministro da saúde durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Esse fato ao invés de favorecer o desenvolvimento da prestação de serviços relacionados à saúde, muito ao contrário, emperrou e arruinou todo o sistema.

Não se sabe bem ao certo qual razão haveria pra tanto retrocesso. Talvez o fato de ter havido o envolvimento do senhor prefeito no escândalo nacional conhecido como o caso das sanguessugas, tenha mesmo contribuído para a deterioração do atendimento ao público nos postos de saúde da cidade.

Se fosse só esse o problema até que seria suportável. Mas veja que as escolas municipais, creches e o saneamento básico são preteridos em favor das obras ostensivas de concreto armado.  

 

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publicado às 00:46

O Dono da Coleira

por Fernando Zocca, em 01.06.12

 

 

Quando o xaroposo tinha "o cabresto curto" não era raro precisar consultar o dono da coleira sobre o que fazer.

 

A dependência era tamanha que, às vezes, um simples peidinho inaudível gerava dúvidas se poderia ou não ser liberado.

 

Era terrível. E veja que foi aquela própria pessoa dele que buscou a ’sarna’ pra se coçar.

 

Ainda bem que, da mesma forma com que ele se enrolou todo, livrou-se também; mas não sem antes muita luta. Saiba disso.

 

Foi bem dolorido, mas ele entendia que a autonomia não poderia deixar de ser conquistada, sob pena do desande geral da maionese.

 

Sabe aquele grito de desespero, revolta, indignação, que antes de subir aos céus, permanece entalado no gogó, enrolado no emaranhado de tanto constrangimento?

 

Dizer ter sido o tal um zumbi escravo, pra ilustrar o tema, é bem pouco, muito pouco, pouco mesmo. Mas era.

 

No final o ilustre deu graças por tudo, pedindo e agradecendo sempre, as benesses da liberdade.

 

Veja que tinha também o tal, naquela fase horrenda, a mania da autoajuda. Você sabe o que é isso?

 

É um lero-lero antigo baseado num milhão de livros sobre o assunto. A bazófia gira em torno da "arte de fazer amigos", "o poder do subconsciente" e por aí vai.

 

Entretanto com o passar dos anos ele percebeu que se não houvesse a verdadeira conexão com Deus, a coisa não daria mesmo certo. Compreende?

 

Com a autoajuda, os cambau e tudo o mais, se não "caísse a ficha", conectando-o ao Criador, meu amigo, saísse de baixo.

 

Na quebra dos grilhões ele deve ter cometido algum exagero. Portanto quis, numa certa ocasião, deixar consignado o seu mais humilde e respeitoso pedido de desculpas.

 

Ele apanhou muito, mas também desceu o cacete sem dó nem piedade.

 

Pra finalizar ele fez dele as palavras da Ana Maria no Mais Você de ontem: “A briga pode ser feia, mas a vitória é linda”.

 

Eu também acho.

 

Sabia?

 

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publicado às 13:34

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