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A melhor defesa não é o ataque

por Fernando Zocca, em 19.04.10

Observa-se aqui em Piracicaba, nestes tempos, a junção entre espíritas e crentes ao redor do senhor prefeito Barjas Negri. Estamos em tempo de eleições e como a composição da câmara municipal quase sempre foi feita com base nessas crenças, adensa-se a ligadura.

                Em termos de estado isso também ocorre; os ataques ao papa Bento XVI e aos seus sacerdotes pode muito bem ter a origem nessa vã tentativa de defender-se acusando. De fato o prefeito Barjas Negri (PSDB) foi mencionado nos Inquéritos da Polícia Federal que investigam a sua participação no esquema de corrupção denominado sanguessugas.
                Luis Antônio Vedoin e Darcy Vedoin proprietários da empreiteira Planan garantiram que Barjas Negri (PSDB) embolsava lucros ao participar das falcatruas que superfaturavam ambulâncias. Foram mais de 600 prefeituras as servidas com esses veículos cujos preços estavam aumentados.
                Há vereadores que, com base num eleitorado formado por evangélicos, permanece no cargo por mais de 20 anos. Como as feridas provocadas na administração pública federal foram expostas pra quem quisesse ver, nada mais recíproco do que atacar os sacerdotes da igreja católica.
                Os políticos de Piracicaba sabem que não são corretos, que não são honestos. Procuram agora trazer pra si as atenções da sociedade brasileira, com uma fábrica de automóveis que a ninguém da cidade aproveita.
                Enquanto isso favorecem a proliferação de empreendedores mal preparados que, desconhecendo as técnicas de manuseio dos equipamentos, prejudicam a vizinhos. É inegável que Piracicaba seja uma cidade onde os restolhos dos antigos coronéis desejem perpetuar-se no poder.
                Eles não sabem fazer outra coisa. Nunca souberam. As licitações, por diversas vezes declaradas viciosas pelos tribunais, são a galinha dos ovos de ouro desse pessoal. O desvio de riquezas e as tentativas de ocultação passam pela estratégia de constranger os sacerdotes católicos.
                Veja você o seguinte: O PSDB deseja trazer para a cidade a Hyundai Motor Brasil fabricante de automóveis.   A empresa receberá gratuitamente a área de terras onde se estabelecerá e ainda a isenção de impostos por uma centena de anos.
                Como para trabalhar nessas empresas é preciso ter conhecimento técnico especializado, deduz-se que os habitantes atuais da cidade não ocuparão seus postos de trabalho. Aqui não existe ninguém com treinamento para laborar nesse tipo de empreendimento.
                Aliás, diga-se de passagem, que hoje em dia a automação das linhas de produção dispensa os trabalhos musculares. Então a quem interessa esse show promovido pelos políticos?
                Interessa aos senhores ocupantes dos cargos eletivos que desejam perpetuar-se no bem-bom. Na atual conjuntura não seria exagero afirmar ser possível o casamento entre a Rede Globo e a Record. Pelo menos até a posse do senhor José Serra.
  
 

Tribunal encontra irregularidades nos editais do Santa Fé

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publicado às 15:36

A Herança

por Fernando Zocca, em 16.04.10

                                Minha tia Olanda Zocca nasceu no dia 19 de fevereiro de 1913, aqui em Piracicaba, tendo falecido aos 19 de setembro de 1996. Era irmã do meu pai Fúlvio e, do seu casamento com o açougueiro João De Lello teve dois filhos, Roque e Arthêmio De Lello.

                               Arthêmio quando moço trabalhou na rádio Difusora de Piracicaba fazendo reportagens de campo durante os jogos do XV de Novembro. Aliás, o Roque também passou uma temporada naquela rádio onde era discotecário.
                               Roque  inspirado nos arquivos da emissora formou imensa coleção de discos, daquelas orquestras do estilo de Glenn Miller, das décadas de quarenta e cinquenta.
                               Antes de ingressar na Difusora Arthêmio formou-se contabilista na escola técnica de contabilidade Cristóvão Colombo, ou Zanin, como era popularmente conhecida. Esse meu primo é um torcedor fanático do XV professando também sua paixão pelo Corinthians.
                               Meus primos, tia Olanda, a avó Amábile e o tio Bruno Zocca, residiram por muito tempo à Rua Ipiranga, esquina da Rua Governador Pedro de Toledo. Naquela casa havia um anexo cuja fachada ficava na Governador. Ali meu avô José Carlos Zocca, nascido aos18 de setembro de 1892, tinha um açougue.
                               José Carlos faleceu em Piracicaba, segundo informam, de um infarto no dia 26 de janeiro de 1943, quando na Europa acontecia a II Guerra Mundial. Por ter origem italiana igual a seu pai, João Ulisses Zocca, meu bisavô, deve ter passado por maus momentos durante os anos que antecederam a sua morte.
                               Quando Getúlio Vargas visivelmente favorável aos Nazistas, mostrava-se convicto dos seus propósitos e apoiava os alemães, a colônia italiana em Piracicaba não sofria qualquer tipo de assédio moral. É bom dizer que a Itália, naquele tempo, governada por Benito Mussolini, era aliada dos alemães.
                               Segundo me contou minha prima Maria Cleusa Adâmoli, José Carlos possuía um busto do Benito na sala, e colecionava cédulas italianas do período.
                               Mas quando Getúlio Vargas, depois de ganhar a usina de Volta Redonda dos norte-americanos aliando-se a eles, os simpatizantes do “Dulce” em Piracicaba passaram a ser vistos com mais reserva. Compulsando os jornais daqueles dias pode-se perceber claramente as alusões veladas feitas aos italianos e japoneses.
                               Imagine como era o dia-a-dia de um comerciante no centro da cidade, cujo pais de origem  representava o papel de vilão, num episódio conturbado na história da humanidade.
                               Pode até ser que a pressão social tivesse influído na morte de José Carlos. Ele faleceu deixando uma herança geradora de muitas encrencas durante muito tempo.
                               Não tenho certeza, mas presumo que na véspera do Natal de 1953, talvez na noite do dia 24, tenha havido uma discussão forte entre meu pai Fúlvio e seu irmão Bruno que era alcoólatra e vivia bêbado. Essa quizila teria motivado a mudança de Fúlvio, minha mãe Daisy e eu, com três anos de idade,  em meados de 1954, para  uma casa do espólio, situada à Rua Benjamim Constant.  A ocupação do imóvel tinha a anuência da viúva Amábile, mas não a dos demais herdeiros.
 
Leia O Castelo dos Espíritos

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publicado às 12:47

O Relógio

por Fernando Zocca, em 15.04.10
 
Rapaz! Levei um cacete da minha mãe numa ocasião, que vou te falar: não foi brinquedo não.
                        Aconteceu assim: estávamos os seis irmãos (quatro meninos e duas meninas) dentro de casa; lá fora uma tarde comum, sem chuva ou muito sol. Não posso precisar a data, mas creio que eu ainda freqüentava o curso ginasial, portanto seriam meados dos anos sessenta.
                        Minha mãe estava na cozinha lavando a louça e nós brincávamos na sala. Os divertimentos se limitavam a provocações nas quais nem sempre os mais novos saiam-se bem. Na calçada, defronte ao portão do escritório da fábrica de botes Adâmoli, havia homens conversando, como era comum acontecer.
                        Num certo momento acertei o cocuruto do Júnior com um tapa mal calculado e o moleque desandou a berrar como se tivesse levado um soco no queixo. O estardalhaço que o guri apresentou fez com que os demais estancassem atônitos.
                        O chorão gritava de tal jeito que minha mãe veio correndo da cozinha, enxugando as mãos no avental que trazia na cintura. Como não são tão importantes os fatos, mas sim a versão que se dá a eles, Júnior aos prantos, contou que eu o tinha agredido com um pancadão na cabeça.
                        Meu amigo, nem queira saber o que se passou depois. Tomada por um piti descomunal dona Daisy avançou sobre mim batendo-me com tanta violência que quase perdi os sentidos.
                          Tomada pela ira, ela gritava e me espancava com um tamanco. Sem ter outra forma de me defender eu usava os braços e as mãos com os quais cobria a cabeça e o rosto. Cai num canto, perto da porta de entrada, sob um quadro de distribuição de energia elétrica, que nós conhecíamos como “relógio de força”.
                        Ali, meu amigo, naquele cantinho, recebendo as violentas bordoadas nas mãos, nos braços, na cabeça, no rosto e nas pernas, os segundos não foram muito confortáveis, não.
                        Enquanto o couro comia a galera toda se reuniu no quarto usado por meus pais. Lá confidenciavam regozijando ou temendo que a tempestade os atingisse também.
                        Passado o furacão, talvez na semana seguinte, em memória do ocorrido puseram naquele canto, perto da porta da rua, um vaso cônico branco de cimento, onde estavam plantados pés de espadas de São Jorge e comigo-ninguém-pode.
                        Naquele tempo a educação era diferente.

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publicado às 14:27

Os Xerifes do Quarteirão

por Fernando Zocca, em 13.04.10

              Quando um quarteirão está sob as influências malignas daquelas pessoas que se sentem os xerifes do lugar, podemos presenciar alguns frutos das suas ações: calçadas sujas, árvores podadas ou mortas, muros queimados, pixados e provocações inúmeras.

            Percebe-se também, nos vizinhos de boa índole, a incidência de doenças tais como a depressão, o câncer e as cardíacas.

            Os chamados xerifes do quarteirão, não chegam a distinguir os comportamentos dos seus contíguos. Ou seja a implicância com alguém ocorre não por ser ele (esse alguém) muito mau ou prejudicial à coletividade.

             A implicância  nasce por diferenças de costumes. Por exemplo: se os xerifes do lugar que têm o hábito de beber, fumar e consumir drogas reunidos defronte suas casas, não forem imitados por algum desavisado que chegou ao trecho, instala-se contra ele uma verdadeira campanha expurgatória.

            Os xerifes podem até ter parentes frequentadores das igrejas e por isso mesmo, se não houver atenção, a boataria defenestrante pode recrudescer. Geralmente os xerifes cruéis de um lugar não crêem em Deus.

            Os malignos podem até freqüentar os cultos e celebrações, mas nota-se que logo reiniciam suas arengas hostis contra quem não conseguem nutrir simpatia. É uma questão de química. Os semelhantes se atraem. Ou melhor: os pássaros de penas iguais andam juntos.

            Portanto para que não haja tanta discórdia você deveria participar das rodas de bebedores, fumar sua maconhazinha de vez em quando e, tragar mostrando satisfação no seu rosto, a fumaça cinza daquele cigarro paraguaio que podem lhe oferecer.

            Então só assim, digamos “vibrando na mesma freqüência” haveria mais aceitação e menos embates entre as preferências.

            É conhecidíssima a noção de que “pau que nasce torto, morre torto”, ou em outros termos, que os maldosos seguem com suas maldades até o final. De que adianta você banhar o porco, preocupando-se com a sua higiene? Ele não retornaria logo para a lama?

            Quem poderia impedir os cães de voltarem para os seus próprios vômitos? É assim com o bêbado, com o usuário de drogas.

            Você pode não se preocupar em tirá-lo da imundície na qual se encontra. Mas com muita certeza, ele se preocupará em trazer você para o lado promíscuo em que se acha.

            Para você entender alguém, saber realmente quem ele é, basta ver o que ele faz ou diz. Pode uma árvore ruim dar bons frutos? Se o quarteirão vive sujo, as pessoas ao redor estão doentes, a conclusão sobre as influências dos xerifes no trecho podem não ser das melhores.

            Em alguns quarteirões a maioria da violência que se pratica é a verbal. São raras as hostilizações físicas tais como espancamentos cometidos por famílias inteiras e até apedrejamento. Quando isso ocorre você pode concluir que os agressores agem assim por não dispor de qualquer outro argumento que possa defender as posições condenáveis.

            Uma cidade só será próspera e feliz quando os xerifes cruéis dos quarteirões tiverem suas ações malignas, praticadas nas trevas, conhecidas pela sociedade toda. É bom relembrar que os políticos insensatos que protegem os agressores morais terão a mesma sorte que eles.

            Se Deus é amor, podemos concluir que os xerifes prezadores do assédio moral não conseguiram ainda chegar até Ele e, que as influências no quarteirão são mesmo feitas pelos tais adoradores das trevas.

 

 

ANJO GUARDIÃO OU ESPÍRITO PROTETOR

 

Criança nasce com 4 pernas

 

A dura vida dos catadores de lixo do Rio de Janeiro

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publicado às 14:39

A Exposição Ampla

por Fernando Zocca, em 12.04.10

            Se você encontra gorduchas pelas ruas, logo depois de ter fuçado sites onde viu milhares de obesas nuas;  se se depara com anúncios de concursos públicos oferecendo vagas para arquivista, logo após ter providenciado a impressão daqueles textos dos seus arquivos;  se seu blog aparece com modificações que você não fez e, se os seus escritos antigos são desencavados com alterações na grafia, pode ter a certeza de que seu computador está monitorado.

            A quem interessaria essas intromissões? A todos aqueles que se sentem atingidos pelo que você publica. Então ao deputado federal medíocre, mais falso que nota de mil reais, àquele prefeito fajuto, hábil em favorecer parceiros nas licitações, ao dirigente “religioso” frustrado com as predições horríveis feitas contra seus adversários, àquele banco safado, ordinário, que escorcha com os juros, explorando o trabalho dos ingênuos, a esses todos, interessaria o seu insucesso na internet.
            A incompetência da súcia, que pode não temer fazer juntar arruaceiros defronte sua casa e tentar invadi-la derrubando o portão, limitar-se-ia, em tese, a praticar esse tipo de ações ocultas. Esses velhacos jamais o procurarão para uma conversa franca. São covardes, tímidos, frustrados.
            As ações desses canalhas se assemelham às daqueles militares opressores que, em tempos ainda vívidos em nossas memórias, invadiam as redações dos jornais, empastelavam a tipografia e agrediam aos jornalistas.
            A eles interessaria a manutenção dos bons conceitos que gozariam junto ao público. E os escândalos do tipo das sanguessugas (ambulâncias), do mensalão do DEM (José Roberto Arruda) e outros, não deveriam ser expostos, por oferecerem perigo às futuras reeleições.
            E como agora as mídias impressas não são as únicas a publicar os assuntos favorecedores dessa gente fina, o jeito é apelar para as práticas sub-reptícias dos tais atos quebrantadores.
            Os milhões e milhões de leis editadas no Brasil de nada servem se não são obedecidas, postas em prática. Que proveito traria à sociedade, ao poder Judiciário, essa ampla exibição dos flagrantes delitos, em que os políticos, dentre eles um governador de estado, aparecem recebendo  fardos de dinheiro público desviado?
            Cadeia e tratamento psiquiátrico só não bastam. Os condenados devem devolver o que não lhes pertence.
 
Thame quer ser senador
 
O candidato espírita e os vícios materiais
 
Centro de Reabilitação: a pareceria SENAI

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publicado às 19:49

Punindo o sucesso, premiando o fracasso

por Fernando Zocca, em 12.04.10

 

 

              Piracicaba é um local onde se pune o sucesso e premia-se o fracasso. São situações que se assemelham às experiências dos laboratórios de psicologia, onde condicionando animais, ensina-se-os a agirem de acordo com as orientações.

         Nos experimentos laboratoriais, os sujeitos ganham alimento depois de cumprirem determinadas tarefas feitas corretamente, enquanto que são privados de ração ou água, quando não fazem a coisa certa.

         Aqui é tudo ao contrário. Se você se destaca em determinada área é logo cassado, punido, perseguido e rotulado. Enquanto que o mostrar-se dependente, vitimado, carente, pode trazer-lhe certa atenção compassiva das autoridades de plantão.

         É claro que essa inversão dos valores atende aos interesses dos políticos que ocupam o poder no momento. Se o camarada tem a “ousadia” de dizer que excelentíssimo senhor prefeito municipal foi mencionado nos inquéritos da Polícia Federal que apuram irregularidades no Ministério da Saúde, torna-se um sério candidato a ganhar “afagos” somente quando é vencido.

         Essa política observada em Piracicaba é a responsável pelas gerações e gerações de derrotados subservientes, fregueses dos famosos coronéis, ainda no comando político.

         Os que só se alimentam, se casam, e têm o reconhecimento público depois de efetivados os seus fracassos, formam as multidões mantenedoras dessa mediocridade incrustada até hoje nos cargos públicos eletivos.

         Para fazerem-no soçobrar os perversos estimulam as fraudes com as senhas na Internet, facilitam o roubo das heranças, denigrem o seu conceito perante o público lançando-o na indigência. É assim que eles se mantêm no poder, isto é, abusando da boa fé da população.

          Depois de instalados nos cargos públicos, essa escória não hesita em levar para casa o dinheiro que seria usado na melhoria da cidade. Então quando você observa uma periferia sem o saneamento básico, sem os atendimentos essenciais, e toda aquela gente passando por perrengues horríveis, pode ter a certeza que o político responsável pela área levou a sua na boa.

         E quando você percebe que é mais uma vítima dessa canalha toda  botando a boca no trombone, a escumalha não envida esforços em mandá-lo pra a clínica psiquiátrica mais próxima.

         Os malditos agem assim. Esses malditos sempre fizeram, sempre fazem e sempre farão isso.

 

 

Centro de Reabilitação de Piracicaba

 

O dirigente espírita e o "banho Maria"

 

Inverso Saúde Mental

 

Clínica psiquiátrica

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publicado às 12:34

O Gole Generoso

por Fernando Zocca, em 10.04.10

              Mariel Ardeu Demorais na tarde de quinta-feira entrou já bastante cansado, no bar do Bafão pra comprar o seu costumeiro maço de cigarros. Assim que o recebeu leu a tarja “CIGARRO PROVOCA IMPOTÊNCIA SEXUAL”. No mesmo instante devolveu-o perguntando:

          - Você não pode trocar este por aquele que PROVOCA SÓ CÂNCER?

            Bafão considerou as altas taxas de pinga contidas naquele corpo, evidenciadas pelo olhar zonzo, rosto afogueado e pés inchados, como as motivadoras dos disparates. Mas mesmo assim respondeu:

           - Já está mais do que na hora de você encomendar o espírito. O corpo já foi. É ou não é, Mariel?

           - Ah, deixa disso, mano! Trabalho o dia inteiro naquela oficina e quando vou refrescar a goela tenho que ouvir essas loucuras? Ora, faça-me o favor. Ocê sabe que se eu só fumasse corria o risco de ficar doente. Mas não. Ocê não vê que eu gosto de tomar muita cerveja? É isso que me livra a cara.

           - Hum... Tá bom. Vai querer pinga antes da cerveja? – no mesmo instante em que falava Bafão asseava o tampo do balcão com uma toalha branca.

           - Bota o de costume.

            Bafão percebeu que Mariel estava irritado. Talvez o serviço na oficina não estivesse muito agradável. As cobranças eram constantes e o esperado retorno financeiro não se mostrava à altura de produzir a satisfação plena.

            - Você não ficou sabendo o que aconteceu com o Van Grogue? – perguntou Bafão, ao servir o freguês com a pinga.

            - Faz tempo que não vejo o Grogue. Por onde anda aquela desgraça?

            Bafão tirou da geladeira uma garrafa geladíssima de cerveja, abriu-a a vista do consumidor e ao ajeitar um copo limpo ao lado da vasilha, continuou:

            - Van Grogue esteve trabalhando como colocador de carpetes. Foi por isso que não apareceu mais por estas bandas. Dizem que está ganhando muito dinheiro.

            - Ele esteve lá na oficina, no mês passado. Reclamou do barulho, mas depois foi embora. A turma diz que ele voltou a beber. Será verdade?

             Bafão respondeu:

            - Olha, que eu saiba, o Grogue nunca parou de beber. Foi o pessoal que deixou de ver ele encharcando a cara. Disseram que um dia ele estava tão louco, mas tão louco de vontade de fumar, que depois de ter colado o carpete na sala do Cidão Boyola, viu uma elevação que se destacava bem perto do meio. Ele achou que era o maço de cigarros que havia esquecido ali. Com preguiça de refazer o serviço, ele simplesmente pegou o martelo e amassou, à pancadas, o calombo. Bom, quando já se preparava pra ir embora, a mulher do Cidão Boyola apareceu trazendo o maço de cigarros dele, - do Grogue - esquecido em cima da mesa da cozinha. Depois que Van o guardou no bolso, a mulher lhe perguntou se não tinha visto o filhote de gato que viera para a sala. Ocê acha que o Grogue teve a coragem de responder que tinha visto o filhote de gato?

            - Eu acho esse Van Grogue um tremendo chato. Dizem que ficou amigo do Jarbas. É verdade? – Mariel demonstrava, já com a voz embargada, interesse inusitado em saber algo a mais sobre o famoso pinguço de Tupinambicas das Linhas.

            Bafão emendou criticando:

            - Imagine que o Grogue fez amizade com o Jarbas! É mais fácil uma vaca voar! Depois que a seita maligna do pavão-louco, a serviço do prefeito caquético testudo, “sujou a água” dele na cidade, o Grogue tem medo até de ir à praça ao entardecer. Ocê sabe muito bem Mariel: gato escaldado tem medo de água fria.

            - Pois eu acho que fez muito bem esse prefeito! – enquanto falava Mariel Ardeu segurava o copo de cerveja suspenso diante dos olhos – Tinha mais é que dar uma sova nesse cara sujo.

            Aquietadas as emoções, depois da ingesta de mais um gole generoso da cerveja que já não estava tão fria assim, Mariel Ardeu Demorais pôde ver a beldade loura que entrava no recinto. Era Luisa Fernanda, a gerente que tentava “há séculos”, tocar de orelhada o hino do Corinthians naquele seu teclado vetusto.

            Rebolando aquela sua bundinha flácida Luisa disse categórica:

            - Seu Bafão, me embrulha, por favor, 360 gramas de mortadela da boa. Mas olha: é da boa, hein! Não quero enganação.

            - Sim, senhora. É pra já. – Respondeu Bafão solícito.

            Notando que o silêncio do ambiente o incomodava Mariel Ardeu estendeu a mão em direção à mulher dizendo:

            - Olá, como vai dona Luisa? E a greve já acabou?

            Luisa Fernanda afastando-se do homem, como alguém que se afasta de um cão fedorento, murmurou algo parecido com “o que é isso?”, mas disse em voz alta:

            - Não ponha a mão em mim!

            Sem impedir a vazão dos sentimentos horríveis que lhe bagunçaram a alma naquele momento, Mariel Ardeu de Morais disse às costas de Luisa Fernanda enquanto ela saia carregando o embrulho.

            - Vai ficar louca!

            Bafão anotando o débito na conta da freguesa, nem deu tanta importância ao fato. Sabia que aquilo era ainda o reflexo da quizumba antiga, havida entre aqueles pobres “cachorros pequenos”.

 

 

           

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publicado às 12:33

O Lixo

por Fernando Zocca, em 09.04.10

Cindy Crau, quando criança, em Tupinambicas das Linhas sofrera abuso sexual praticado por um motorista de caminhão basculante. O sujeito era completamente calvo e tinha um bigode basto e peludo. Ele andava com a camisa aberta no peito e fora da calça.


O degenerado bebia pinga no bar da esquina, onde também fazia jogo do bicho. Zé de Quincas gostava daquele ambiente, pois se via livre das amarras e opressões que sofria no seu trabalho e lar.


Zé padecia com a insônia, abusava do álcool e fumo. Vivia sem barbear-se e levara um duro golpe da vida quando a mulher danou-o, corneando-o com um colega seu.


A raiva que o dominava transformou-o num misógino obcecado. Mas a libido que o perturbava, esvaia-se de vez em quando, nas safadezas contra crianças inocentes.


Era muito chato e não gostava de andar a pé pelas ruas. Por isso comprara um Monza velho, esburacado pela ferrugem e, com o IPVA atrasado.


Ele conhecia o Gera que não era outro senão aquele do qual já lhes contei inúmeras passagens e historietas.


Eu soube, por meio do Gera, que o Zé de Quincas possuíra muito dinheiro, quando fora casado com sua primeira esposa. Eles tiveram um filho, mas a mulher cansou de apanhar, por isso buscou em outros braços os carinhos que o Zé não lhe dava.


Ao separarem-se, Zé de Quincas desejou ficar com o filho, que naquela altura do campeonato apresentava já sinais de esquisitice preferindo usar roupas de meninas. Os trejeitos delicados indicavam que ele se sentia melhor vestido como mulherzinha do que igual aos garotos.


Ao ver aquilo, Zé teve a certeza absoluta que teria um viegas pra conferir. O fiofó dos escolhos, produto daquela união, com certeza não lhe daria as alegrias que teriam os pais dos outros moleques da vizinhança.


Os cabelos curtos, voz de contralto e a crença de que não poderia mesmo contar com aquele seu rebento, levaram o Zé de Quincas a arrepender-se de todos os males que causara durante toda sua vida malévola.


Mas a criança sabia que a exibição da sua imagem diariamente seria uma forma de dizer: “Olha aí, estão vendo? Vocês me encheram o saco, mas agora estou aqui fazendo e acontecendo, enquanto que vocês, os zombadores, continuam nessas vidinhas de murmuradores covardes”.


A Cindy Crau uma das inúmeras vítimas do Zé de Quincas tremia ao ver aquela figura sinistra ali na sua frente. Ela tinha sincopes e chiliques só de ouvir falar o nome do tarado.

 

Publicado originalmente em 03/03/2004 no usinadeletras.com. br



  

 

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publicado às 13:55

Os murmúrios do Mário Heleno

por Fernando Zocca, em 08.04.10

Diva Cristina sentia-se aborrecida naquela segunda-feira. Seu filho mais velho abandonara a escola alegando que todos o zoavam por ser muito feio e demorar a responder as questões apresentadas, na classe, pela professora.

         Seu marido Augusto não obtinha bons resultados na selaria devido ao fato de as pessoas usarem, nos dias atuais, mais automóveis do que cavalos ou charretes.

         Diva Cristina sentindo então as dificuldades trazidas pela escassez de trabalho do marido resolveu ela mesma ir à luta, oferecendo-se como faxineira. Ela trabalharia uma vez por semana, recebendo por isso o numerário equivalente ajustado.

         A insegurança que a envolvia, por não ter experiência na atividade, seria minimizada pela amizade e o carinho que esperava do seu primeiro cliente: Diva Cristina faxinaria a residência de um parente morador na vizinhança.

         O primeiro dia de trabalho, que ela começou logo depois de ter atravessado a rua, que separava as duas casas, consistiu em varrer a sala, espanar os móveis, lavar a louça usada no jantar da noite anterior, lavar a garagem, varrer o quintal e por fim, enxaguar o banheiro tirando dele todos os odores nefastos.

         Na semana seguinte Diva retornando, fez os mesmos serviços. Ela não ficava sozinha na casa. Apesar de a dona, sua parenta, funcionária da fazenda oligárquica estadual, onde permanecia ociosa a maior parte do dia, os movimentos na residência eram acompanhados, de perto, por Mário Heleno, um solteirão barrigudo, tabagista inveterado.

         As más línguas do bairro garantiam ser Mário Heleno um verdadeiro sapo boi, por ter algumas semelhanças com o animal. A igualdade não cessava só na aparência física. Mário Heleno, sempre de mau humor, destilava-o com freqüência, nas horas e horas em que passava solitário a murmurar, fazendo-o sempre igual ao coaxar dos batráquios.

         Numa ocasião quando Diva Cristina já cansada dos sufocos sofridos com Augusto, que não parava mesmo de beber, e por sentir a angústia que lhe dava o excesso de gente desocupada dentro de casa, saiu para trabalhar, indo, porém com o espírito prevenido. Ela pressentia que algo de muito desagradável estava pra acontecer.

         Ao transpor o portão e iniciar o percurso, subindo pela escada traçada sobre um gramado mal cuidado, Diva Cristina pôde ouvir os muxoxos do Mário Heleno que se mostrava bastante hostil naquela manhã.

         Por muito pouco os dois não se envolveram numa daquelas discussões constrangedoras infindáveis, em que até os vizinhos alheios aos assuntos se sentem mal.

         Por saber a Diva Cristina que a vingança é um prato que se come frio, ela esperou toda aquela raiva do Mário Heleno passar e, num gesto catártico pra ela, tomando a escova de dentes do tal gorducho bigodudo, esfregou-a por longos minutos no vaso sanitário.

         “A gente ganha pouco, mas se diverte”, pensou ela naquela tarde em que deixou o trabalho tranqüila e bem feliz da vida.   

           

 

Dane-se a pressa

 

Leandro não foi vítima de bullying

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publicado às 13:54

Meus óculos

por Fernando Zocca, em 07.04.10

Para dar a mim, que me guiava, a visibilidade traseira, adaptei na armação dos meus óculos dois minúsculos espelhos. Eles iam fixos logo abaixo das hastes que faziam a conexão com as lentes.


Tal invento proporcionava a observação dos pilotos fortemente municiados que no comando dos últimos Messerschmitt, ainda tentavam sustentar aquele fogo já em vias de extinção.


O assédio todo se originara numa quizila que se tornara pendenga jurídica, que por sua vez, descambava agora, para a persecução envolvendo a turma toda daquele suposto credor.


Como nunca havia negado o crédito ao perseguidor, mantinha-me na defesa, até o momento em que as tropas aliadas chegassem, trazendo os reforços com os quais pudesse solver todos os vazios deixados.


Mas vivia momentos insólitos. Em ondas justapostas de ataque, os Stukas eram sucedidos por enxames de ME 109, que saídos assim como que do nada, despejavam as metralhas verbais de munição explosiva.


Por isso tinha que usar toda a imaginação, com que fora agraciado por Deus, na defesa da integridade própria.


Meus amigos, os aliados Alan Brado e Alan Bique deixaram o teatro de operações assim que a coisa começou a esquentar. Não podia queixar-me disso. Deveria respeitar as decisões de quem acreditava que marketing de pobre era simpatia.


Estava em um momento crucial de minha existência. Considerava eficientes os enunciados criados pelos fervorosos defensores da liberdade. Em aliança com minha causa difícil, sustentavam o fogo usando munição poderosa.


Apesar do achaque de alguns chatos de galochas, que afirmavam: "tem nego que só come a moça quando morde aquele chocolate da Nestlé", eu ainda ponderava que às vezes, sofria-se não por ser o trem muito pequeno; mas por ter o túnel muita largura.


Aquela ira italiana que formava meu ser abrandava-se com o passar do tempo. Eu não acreditava naquele marmanjo maledicente que espancava dizendo aos quatro ventos: "subia o preço do pãozinho, subia o preço do gás, só o nosso bimbo não subia mais". Eu achava que pra tudo na vida tinha jeito.


Tratando de botar para fora dos meus armários aquelas flores de plástico sem graça, notas fiscais dos carros com histórias mal contadas, medalhas e tíquetes de passagens aéreas ao Havaí, frangos mumificados, e as big salsichas indigestas de porco, eu concebi que era chegada a hora de mudar o rumo do meu navegar. Eu deveria alcançar o porto que me indicava aquela estrelinha lá no céu. Fundearia ali minha nave. Afinal, meu amigo, a noite da existência vinha chegando.
Eu tinha, então, que me precaver.

 

Publicado originalmente em 09/09/2002

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Carolina Dieckmann usa óculos de grau

 

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