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O Macaco Silvestre

por Fernando Zocca, em 26.12.11

 

No mafuá da usura, preso em candura, 
estiolado no cipreste, estava o macaco silvestre. 

Mas o que fizeste, pobre mico do agreste? 
Só por tua beleza e negrura, se vê sem soltura? Não te amargura o mal que te investe? 

Pobre macaco silvestre! 
O orgulho negociante que o poder tem nas mãos 
não se compadece. O quê fizeste? 
Malfadado macaco silvestre? 

A luta pelo dinheiro, poder e sexo, desmerece. 
Desanca e não enaltece. Prende e arrebenta até envilece. Pobre de ti macaco silvestre. 

Esqueceste da selva de onde vieste! 
Mas na prisão, em que tudo fenece, pior é a vida e não te apetece. 
Não desejavas contigo macacas silvestres? 

Usura liberta o macaco. Usura apieda-te e não investe. Usura: liberta o macaco silvestre!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 11:15

A lambida

por Fernando Zocca, em 18.12.11

 

 

       

A Verdade Sempre Aparece. Nem Duvide.

 

 


       Ele varreu o chão, lavou os copos, enxaguou o banheiro, lustrou o tampo do balcão e, tomando os envelopes, que vieram na tarde do dia anterior, trazidos pelo carteiro, passou a abri-los um por um.Bafão abriu o boteco logo depois das oito horas, naquela manhã de sexta-feira. Ele pensara em chegar mais cedo para preparar o ambiente que receberia o pessoal do carteado logo mais a noite.

       Eram cobranças de bancos, da empresa de telefonia, da companhia de luz, do serviço municipal de água, e panfletos publicitários das mais variadas formas.

       Enquanto Bafão lidava com os papéis um dos cachorrinhos pretos da vizinha entrou no bar e, farejando pelos cantos, estancou perto do lugar onde permanecia o proprietário, levantou então a perna traseira direita, soltando em seguida, o esguicho determinador do local por onde passara.

       Bafão já pensara em queixar-se com a proprietária sobre aquele bichinho que vadiava o dia todo pelas ruas do quarteirão. Mas como conhecia bem o temperamento melindroso da moradora, para não agitá-la, resolveu escrever-lhe uma carta.

       Pegando um lápis pôs-se a rascunhar um desabafo contra a falta de cuidados e atenção daquela velha senhora tristemente barriguda, de calcanhares rachados, dona de um cachorro enxerido.

       Depois Bafão, naquele armário antigo, de portas envidraçadas, onde expunha os sabonetes, as pastas dentifrícias, as linhas, as agulhas, os cadernos, os lápis e canetas, capturou um envelope.

        Com uma lambida, na cola seca, da borda da aba da sobrecarta, ele fechou lá dentro a missiva.

       Da gaveta do balcão ele tirou um selo, dando-lhe a lambidela umidificadora que possibilitou a fixação da estampa fina no envoltório tosco.

       Irrompendo bar adentro uma garotinha, de cabelos curtos, castanhos e lisos, pediu um sorvete de chocolate, que imediatamente depois de ter a sua embalagem rasgada, foi levado à boca com avidez.

       - Minha mãe mandou marcar na conta dela. – disse a menina ante o olhar atônito do Bafão.

       - Ô mocinha, faça-me um favor. Quando passar por aquela caixa dos correios, ali perto daquele poste, coloque lá essa cartinha. - pediu Bafão para a freguesa que saia.

       - É para o papai Noel? – quis saber a pequena lambendo ostensivamente a guloseima.

       - Não é não. É para uma amiga dele. – respondeu o comerciante.

       A jovenzinha saiu deixando o homem a sós, com a papelada dos credores.

       Bafão olhou-se no espelho pequeno, de moldura laranja, e achou que já estava no tempo de cortar os cabelos.  

       Pensando em despreocupar-se ele então abriu uma garrafa de licor de jabuticaba, servindo-se com prazer num pequeno copo.

       - Ah, os licores!!! Mas que delícia...

       Quando o homem se preparava para ligar ao fornecedor das bebidas, a fim de reforçar o estoque de cervejas geladas, que serviria ao pessoal do carteado, ele notou que uma jovem magricela, de estatura pequena, com os cabelos pretos, presos em um rabo de cavalo, vestindo um short marrom e camiseta regata verde, parou defronte a porta do boteco.

       Com a cabeça baixa, e de frente para o comerciante, a mulher fez com a mão direita, alguns gestos que lembravam as lambidas de uma girolanda imensa.

       Bafão que pensava já ter visto tudo o que de mais bizarro podiam apresentar algumas almas atormentadas daquela rua, não esperava por mais aquela demonstração de menosprezo.

       Ele recordou-se que quando chegava ao bar pela manhã e saia à tardezinha, sempre havia alguém da vizinhança fazendo-se notar.

       - Fazer o quê? – inquiriu ele, meneando a cabeça. – Temos de ter paciência. Muita paciência.

 

 

 

 

Mudando de assunto:

Relembre Ângela Maria cantando “Mentindo”.

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publicado às 11:01

Caminhão atropela procissão e mata dez

por Fernando Zocca, em 10.12.11


 

Um caminhão desgovernado, carregado de areia, atropelou dezenas de fiéis durante uma procissão na quinta-feira (8/12), em Feira Grande, no interior de Alagoas matando dez pessoas.

 

O caminhão-caçamba carregado de areia, que pegou fogo, atingiu sete veículos entre motos e carros “Foi muito rápido, então não dá para a gente definir o que aconteceu, na verdade”, disse um morador.

 

Três motos foram arrastadas pelo caminhão, que só parou depois de capotar na praça principal da cidade.


“Todo mundo apavorado com o carro pegando fogo. Algumas motos explodindo, como a gente viu. Existiam essas explosões e as pessoas se assustavam. Mesmo assim, o pessoal muito solidário. Eles entraram mesmo, metiam a cara e jogando areia. Faziam de tudo para tentar resgatar os corpos”, contou o morador Edson Chagas.

 

O motorista do caminhão e outras nove pessoas morreram. De acordo com o Instituto Médico-Legal (IML), quatro das vítimas eram crianças. Uma delas morreu soterrada pela areia que caiu da caçamba. Outras quatro pessoas foram carbonizadas.

 

A todo o momento moradores chegavam à praça para tentar identificar parentes. “Recebi a notícia e fui logo para o IML, fui logo para a unidade de emergência, mas não localizei. Vim direto para ver se localizava. Estou abaladíssima. A família inteira. Isso é um choque”, comentou a funcionária pública Gildete Soares Bispo.

 

“Uma avenida dessas, cheia de gente, milhares de gente, acontece um negócio desse aqui. Foram muitas vidas”, lamentou o gerente de panificadora Marcelo Rocha.

 

A cidade de 22 mil habitantes no agreste de Alagoas está de luto. “Não dá nem para imaginar”, lamenta um morador.

 

Segundo a polícia, três mil pessoas participavam da procissão. As causas serão apuradas.


“Se a carga estava acima do permitido, se o caminhão estava em condições de trafegar e se o motorista estava em condições de conduzi-lo. São dados que só com a investigação poderão ser passados”, afirmou o tenente da Polícia Militar de Alagoas, Vanderlei Pereira Oliveira.

 

 

 

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publicado às 22:04


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