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A Rejeição

por Fernando Zocca, em 30.09.11


 

            Quando uma chamada “Líder de Quarteirão” mostra-se refratária às boas novas, pode sentir-se profundamente ofendida pelos que lhe anunciam a existência do alfabeto, dos jornais, dos noticiários nas rádios, TVs e da interpretação correta das escrituras sagradas.

            Esse sentimento ao ser comunicado aos parentes mais próximos, aos integrantes das igrejas e centros, arregimentar-se-ia de tal forma que seria notado pelas “lideranças” políticas do local.

            Perceba que as pessoas ocupantes dos cargos eletivos não teriam, em tese, qualquer diferenciador dos grandes portadores dos preconceitos, limitações e cargas supersticiosas, formadoras da mentalidade mediana dos moradores da zona.

            Dessa forma o sentimento de rejeição pode alastrar-se pela cidade inteira e nem mesmo os trabalhos voluntários, verdadeiros milagres demonstrativos da boa vontade, seriam capazes de mudar a repulsa.

            E não há quem faça os “cabeças-duras” trocarem a opinião, abandonando os próprios erros, demonstrando arrependimento. Dai então as comparações: em outros locais mais salubres as boas ações seriam reconhecidas.

            A rejeição não causa compaixão aos rejeitadores e nem aos lugares onde vivem.



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publicado às 15:29

O Líder do Quarteirão

por Fernando Zocca, em 28.09.11

 

                        Muitas pessoas têm dificuldades para, mudando o comportamento, tornarem-se mais amistosas, mansas, pacíficas e socializadas.

            Uma das causas impeditivas do amestramento eficaz seria a crença equivocada de que os bons são ingênuos, tolos e passíveis de serem enganados. Daí o exercício da crueldade.

            A hereditariedade influi muito na conduta do indivíduo insistente na pratica dos malefícios a enteados, irmãos, mãe e vizinhos. O sujeito inquieto, querelante, espelha-se na figura do pai que também agia sem compaixão nenhuma com os filhos, a mulher e os vizinhos.

            Para se tornar um líder respeitável no quarteirão a pessoa deve demonstrar sensibilidade e muito tato no trato com as pessoas, a começar consigo mesma.

      O líder do quarteirão deve conhecer o alfabeto, interpretar corretamente as escrituras sagradas, permanecer atento às notícias dos jornais e estar sóbrio a maior parte do tempo, a fim de que suas percepções sejam reais.

      O indivíduo que deseja ser influente num quarteirão deve conhecer as leis, evitar os motins de rua, os crimes, não usar drogas e respeitar a mãe viúva.

      Não é o tempo de permanência num determinado local da cidade que habilita o indivíduo a ser o digamos... ”Xerife” do trecho. É preciso muito mais do que isso. É necessário, além das qualidades elencadas acima, ter alguma inteligência e bons propósitos.

      Sem essas características o tal pretenso líder permanecerá lá no fundo do quintal onde só há choro e ranger dos dentes.

28/09/11

             

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publicado às 21:01

Discussões Intermináveis

por Fernando Zocca, em 27.09.11


 

                        Às vezes, numa família composta por muitos membros, pode surgir algum tipo de competição que objetiva a exclusividade da fonte de afeto.

             Assim uns, por se sentirem mais fortes, podem desejar sobressair-se, reafirmando a própria importância.

             A auto-afirmação se dá dentro do mundo da pessoa, ou seja, com as ideias, costumes e crenças que a compõem. Assim, se o indivíduo é um beberrão maldoso, demonstrará que é o mais importante por suportar mais álcool e praticar mais malvadezas que os demais.

             Com o passar do tempo não só o afeto é disputado, mas a liderança também. Dai surgem os choques de opiniões diversas, as discussões intermináveis sobre quem tem mais prestígio, mais influência.

             Isso ocorre também em nível de quarteirão, de comunidade.

             É possível às pessoas mais antigas de um determinado lugar, que ao sentirem o seu prestígio no bar, na igreja, ou no clube social, ofuscado por um novo morador recém-chegado, iniciar uma onda de repulsa, criando inclusive boatos e difamação.

             Entretanto todos tem importância num quarteirão. Desde a criança analfabeta, o pinguço maldoso, que durante as madrugadas insones, joga lixo na casa dos vizinhos, o homossexual que foi despedido do salão, o padrasto desempregado, que insiste em educar as crianças, usando o medo com a demonização de quem ele não gosta, até a viúva que vive de casa em casa, buscando e levando as novidades.

             Não haveria condenação à “dominação intelectual” se esta objetivasse o adestramento, a socialização, e o respeito que se deve ter a si mesmo e às demais pessoas vizinhas.

 

26/09/11

                  

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publicado às 01:16

Um pouco mais de sensatez

por Fernando Zocca, em 25.09.11

 

 

                            É bom que não haja escândalos numa comunidade, numa cidade; mas ai daqueles que os causarem.

             Hoje em dia, pode haver escândalo maior do que fartar-se com os bens adquiridos com o dinheiro que se furtou dos cofres da administração?

             Quando o homem eleito pelo povo trai a sua confiança, subtraindo para si a riqueza comum, edifica uma carência de recursos que farão falta no suprimento das necessidades da população.

             Ou seja, sem o dinheiro, que foi para a conta particular do senhor prefeito, do senhor vereador, do senhor deputado, do senhor governador, não haverá meios para pagar as despesas que as instituições públicas teriam ao garantir a saúde, a educação e a segurança dos cidadãos.

             Então se conclui que quanto mais enriquecido se torna o tal político, mais miserável, mais analfabeta, mais doente, desdentada e mais insegura, ficará a população que o elegeu.

             Isso ainda acontece, nos dias atuais, em decorrência da conhecida crença de que “todo mundo rouba” impunemente. A ostentação, a mudança de vida, propiciada pelo enriquecimento ilícito, incentiva a todos a praticarem os mesmos delitos.

             Você pode perceber quando um partido político prioriza mais as coisas do que as pessoas ao notar a construção de pontes desnecessárias, o asfaltamento das ruas já calçadas e outras obras suntuosas, em prejuízo também dos salários dos servidores municipais.

             A construção de presídios e de fábricas de automóveis tem o seu preço. Quase todos sabem qual é. O que se pede é um pouco mais de equilíbrio, de justiça, de sensatez.


25/09/11

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publicado às 10:13

Superfaturando Ambulâncias

por Fernando Zocca, em 24.09.11

 

 

 

                            

Realmente a pergunta que não quer calar, neste sábado, é a seguinte: como é possível um grupo de políticos prejudicar, por tanto tempo, tantos usuários dos serviços públicos de saúde?

             Quem não se lembra daquela operação da Polícia Federal, conhecida mundialmente como Sanguessugas?

             O esquema possibilitava o superfaturamento dos preços das ambulâncias, praticado por integrantes do Ministério da Saúde, quando FHC era o presidente da República.

             Darcy Vedoin, um dos proprietários da empreiteira PLANAN, ao ser preso pela polícia federal, denunciou Barjas Negri, atual prefeito de Piracicaba, então nomeado no ministério da saúde, como um dos responsáveis pela supervalorização das ambulâncias destinadas a mais de 600 municípios brasileiros.

             Diante da gravidade de tais crimes instaurou-se inquérito policial e CPI, mas até hoje milhões de pessoas ficaram sem saber o resultado das investigações.

             Perceba o meu ilustre leitor que o progresso material de alguns políticos medíocres aumenta na exata proporção em que prosperam as desgraças para o eleitor, nos setores de saneamento básico, saúde e segurança, dos locais onde ele atua.

             Assim, quanto mais enriquecido, mais abastado o político, mais mal atendida ficará a população, nas áreas da saúde, educação, segurança e saneamento básico.

             E essa velha história tende a se perpetuar, caso persista a impunidade, geradora de tantos desníveis sociais.     

             

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publicado às 18:43

A Percepção do Criador

por Fernando Zocca, em 20.09.11

 

 

 

                        A criação artística e o artesanato são atividades quase semelhantes. A primeira, mais elaborada, possui um conjunto de técnicas que possibilitam o conseguimento dos seus objetivos.

                        Assim, para a composição de uma sinfonia o músico seguirá determinadas diretrizes, da mesma forma que o pintor obedece as regras e os usos, para a elaboração dos seus quadros.

                        O artesanato, que também não deixa de ter um conjunto básico de procedimentos, não teria tanta abrangência social quanto uma obra literária, um filme ou uma telenovela.

                        O elemento comum entre essas atividades é a criação. E esta nada mais é do que a expressão do comportamento livre do criador. Veja que um operário não tem, dentro da fábrica, os movimentos libertos que experimenta o autor da obra artística.

                        Na empresa o trabalhador está realmente sujeito às determinações do empregador e não pode fazer “o que lhe dá na telha” sob pena de incorrer na classificação de inservível.

                        Veja que a arte reproduz a realidade do seu autor. Nos romances, nos filmes, nas novelas, a percepção do criador se expressa na existência dos seus personagens.

                        Então quando vemos numa telenovela – Fina Estampa, por exemplo -, uma pessoa como Tereza Cristina Velmont (Cristiane Torloni), você pode ter a certeza de que essa individualidade autoritária, arrogante, prepotente, aristocrática, monárquica, pode ser encontrada em nosso meio, em nossa sociedade.

                        Note que o não gostar de novelas só porque mostrariam “coisas ruins” seria o mesmo que deixar de assistir aos telejornais por apresentarem as mazelas do mau caratismo político.

                       E perceba meu querido leitor, que o deixar de ler jornais, ou ver televisão, para esquivar-se dos maus momentos, poderia ser comparado ao fechar os olhos para as nossas próprias culpas, nossos erros, nossas secreções, que insistimos em deixar, às ocultas, debaixo dos lençóis.

                        Quantas Teodoras Bastos da Silva (Carolina Dieckmann) você já não encontrou durante a sua vida? Eu conheço várias delas. Muitos gostariam de não ter pecado algum para enchê-las de pedradas.


20/09/11


Veja a aristocrática, arrogante, prepotente e monárquica Tereza Cristina, no vídeo abaixo.


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publicado às 20:13

Pra que tanta pose, doutor?

por Fernando Zocca, em 13.09.11

 

 

Perguntaram outro dia a um nobre deputado federal: Excelência o senhor não teria outra atividade mais útil ao povo, que justificasse de forma mais efetiva, os salários que recebe, do que participar das redes sociais na internet?

Do alto de toda aquela sua sapiência, segurança e sensação que lhe proporcionava o fato de ter recebido mais de 100 mil votos, ele pensou, pensou e... nem tchum deu ao indagador.

O eleitor ficou a matutar se o nobilíssimo legislador não teria percebido a atenção a ele dirigida. Imaginou também que talvez, por ser muito pobre e insignificante, não tivesse merecido qualquer resposta vinda de tão insigne, brilhante e monárquica autoridade.

Quem sabe até a justificativa para o tal “gelo”, fosse a conduta divergente daquele interrogador que, recusando-se a concordar com as insanidades cometidas nas licitações públicas, praticadas por integrantes do partido do senhor deputado, contasse aos quatro ventos, os crimes ouvidos aos sussurros, nos corredores da prefeitura.

Acreditou-se que uma coisa era bem certa. O senhor deputado só respondia a quem achava ser digno de ouvir as suas sábias palavras, buriladas pela cultura adquirida durante a vintena de anos, em que esquentou, com seu traseiro largo, os cargos públicos eletivos.

Alguns teclados digitavam o fato de que aquela excelência não dava mão a pretos, não falava com pobre e nem carregava embrulho. Pra que tanta pose doutor? Pra que tanto orgulho?

Pontes, fábricas de automóveis, recapeamento de ruas já calçadas, são menos eficazes, para o fortalecimento da população carente, da periferia da sua cidade, do que o investimento no ensino público, na contratação de médicos, para os postos de saúde e na adequação da alimentação escolar.

Mas o que traz votos é a aparência das pontes, das ruas asfaltadas, da publicidade que se faz, das fábricas de carros. E o que o senhor quer, deseja mesmo, é a reeleição, muito mais do que o bem estar do povo.

Não é mesmo senhor deputado?

 

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publicado às 15:37

O Pior cego é o que não quer ver

por Fernando Zocca, em 09.09.11

 

 

                   - Ela estava na piscina do clube se agarrando com um sujeito. Em volta deles havia uma turma do barulho. A zoeira que eles faziam chamou a atenção da diretoria que mandou um dos empregados reprimir a vergonheira.

                - É sério? – Naldo “puxando ferro” no quarto, aos pés da sua cama de solteiro, não podia acreditar no que dizia a irmã.

                - É verdade todo mundo viu. A doidinha tava na maior beijação com Alcindo, aquele que foi namorado dela. Lembra? – confirmou Silvinha.

                Baixando os halteres ao solo, Naldo agarrou a barra fixada nos batentes da porta, iniciando as dez primeiras flexões da série de cinquenta.

                O suor escorria-lhe pelo corpo empapando o short amarelo.

                - Eu não estou acreditando. Vocês falam muita mentira. Deixa ela vir aqui, que eu vou conversar.

                - Mas você é louco Naldo. A menina bota o maior chifre em você, na frente de todo mundo e você não fala nada? – desesperou-se Silvinha.

                - Vocês estão querendo que eu termine com ela. Estão com inveja. – Defendeu-se o atleta.

                Percebendo que não conseguiria arrancar uma postura hostil do irmão contra aquele projeto de cunhada, Silvinha saiu do quarto, indo direto para a cozinha onde a mãe preparava o jantar.

                Notando estar só, Naldo vestiu uma camiseta branca, o seu velho par de tênis e, capturando a bicicleta preta, jacente num canto da garagem, saiu para a rua.

                - Vou pra academia malhar. – avisou ele ao passar pelas mulheres que conversavam.

                - É uma besta mesmo. Todos lá no clube sabem que a Eliana está ficando com o Alcindo e esse tonto nem se toca. Até no bar do pai dela o comentário é geral. – Queixou-se Silvinha para a mãe.

                - Nem ligue Silvinha. O Naldo sabe o que faz. Vai ver ele não quer nada sério com ela. É só um passatempo.- Consolou a mãe enquanto fritava as batatas.

                - Pode não querer nada com ela, mas que está feia a situação está mesmo. Tenho até vergonha de entrar no clube. Bom, mas deixa eu ir embora que o Túlio já está chegando lá em casa pra jantar.

                - Mãe, põe na cabeça desse moleque que ele deve largar a vadia. – pediu Silvinha ao arrancar com o carro importado, depois das despedidas usuais.


6/09/2011. 

                

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publicado às 01:36


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