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Bento XVI lança CD

por Fernando Zocca, em 31.07.09

O Papa Bento XVI lançará no próximo dia 30 de Novembro um CD com músicas religiosas e orações à Virgem Maria. Produzido pela gravadora norte-americana Geffen Records, o Ábum intitulado “Alma Mater” conterá também oito peças de música clássica interpretadas pela Royal Philharmonic de Londres, gravadas no lendário Abbey Road Studios da capital britânica.

 

As canções executadas pelo Papa Bento XVI foram gravadas na Basílica de São Pedro e Sua Santidade foi acompanhada pelo coro da Orquestra Filarmônica romana.

 

O projeto de produzir um álbum com as músicas interpretadas pelo Santo Padre foi concebido a partir da "Multimedia San Paolo," sociedade Católica que trabalha nos meios de comunicação social. Os lucros serão doados à fundação que promove o ensino da música entre as crianças pobres de todo o mundo.

 

De acordo com Colin Barlow, presidente da filial britânica da Geffen Records, este álbum é realmente fantástico: "A coisa que mais surpreende é que o Papa tem um bom gosto", diz Barlow ao Times de Londres. O CD terá oito orações. Uma será cantada por Bento XVI, enquanto que as outras serão recitadas por Sua Santidade em latim, italiano, Português, Francês e Alemão.

 

Bento XVI elogiou o trabalho realizado pelo estúdio: "Recebemos uma carta do Vaticano dizendo que o Papa tinha ouvido as gravações e ficou muito feliz”, disse à BBC o presidente da gravadora Colin Barlow.

 

Esta não é a primeira vez que um sucessor de São Pedro participa com músicas e cultura. João Paulo II durante seu pontificado, repetidamente demonstrou seus dons artísticos. Em 1994, por exemplo, interpretou "O Terço" e com a gravação feita pela Rádio Vaticana atingiu o topo no ranking internacional. Em 2008, alguns poemas escritos pelo Papa polaco foram gravados e interpretados pelo grande tenor Placido Domingo. (Corriere della Sera)

 

 

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publicado às 16:18

Violência contra crianças

por Fernando Zocca, em 29.07.09

 

 
Adultos desequilibrados são na grande maioria, os responsáveis pelo espancamento de crianças, hoje em dia. Percebe-se a injustiça pela desigualdade na relação, colocando nos pratos da balança os elementos constituintes e formadores do grupo.

Comparando crianças com adultos vemos que estes têm maior peso, estatura, e experiências ainda não vivenciadas pela criança. Além disso, os menores dependem dos amadurecidos para sobreviverem.
 
A maioria das agressões praticadas por adultos contra crianças, ocorre por falta de controle de quem, justamente, deveria mostrar-se à altura de proporcionar educação digna ao pequeno ser.

Além das condenáveis agressões físicas as crianças estão sujeitas às ofensas morais gravíssimas quando, por exemplo, destaca-se o retardamento mental do guri.

Agindo com brutalidade o adulto agressor sinaliza que, tomado pelo estresse, não dispõe de condições convenientes para transmitir educação ao menor. A reiteração desse comportamento, injustificável, poderia suscitar providências restritivas da sociedade.
 
É necessário reabilitar o adulto agressor, sob pena de permitir que tal situação grave e injusta produza efeitos malignos ao ser em desenvolvimento e até mesmo para a comunidade, no futuro.
 
Nas famílias onde se observa a violência contra filhos e enteados, geralmente o limiar da “perda da paciência” é muito baixo. E que é comum o uso de estupefacientes tais como o tabaco, álcool e maconha. Nesses casos “o sistema é bruto” e a desculpa mais usada pelo agressor é: “comigo é assim, com meu pai era pior”.
 
A insônia do agente agressor somada à inatividade laborativa, tendem a agravar a insânia no relacionamento em que a pequena e indefesa pessoa vê-se em total desvantagem.
 
Esse sistema tosco de educação, não mais se justifica, hoje em dia, diante da publicidade das práticas pedagógicas modernas ao alcance dos responsáveis de boa-fé e bem intencionados.
 
Na era dos vídeo games como explicar a necessidade de agredir um enteado com a justificativa de conte-lo? A miséria material também não justifica nem autoriza a violência, afinal existem milhares de famílias despossuídas que educam com muito carinho seus filhos.
 
Quando você bate numa criança, ela aprende a bater.
 
Podemos observar que nas famílias onde existe agressão física e moral contra crianças há também a ausência das práticas religiosas.

Padrastos são apontados como os maiores vilões insensíveis e agressores de crianças. É comum ver enteado, vítima da violência, recorrer à mãe pedindo socorro, mas que por conveniência, e manutenção do status quo, no final, acabam aprovando ou minimizando a maldade usada.
 
Observa-se na família do padrasto violento que, geralmente o próprio pai, tem um passado criminoso em que se envolveu em arruaças e agressões físicas usando faca ou pedras.
 
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publicado às 20:20

Esquecer é permitir. Lembrar é combater

por Fernando Zocca, em 28.07.09

Passamos por tempos tensos, bastantes difíceis mesmo. Creio que isso não tenha sido novidade também para as pessoas das outras eras, de outras épocas e lugares. Porém tanto nos dias atuais, como nos dias passados, existem e existiram diversas formas de aliviar-se das angústias.

                       Alguns preferem os bares, onde na companhia dos amigos livram-se das “neuras” e maus humores. Outros preferem passar horas divagando sobre tolices sem a preocupação com o futuro ou atividade responsável.
                        Muitos se utilizam das drogas, para em bacanais, descontarem e abusarem de crianças indefesas, mas que podem suportar a agressividade louca dos insanos impunes.
                        Por falar em violência contra crianças indefesas veio-me à memória um caso muito conhecido no Brasil, ocorrido em Vitória, no Espírito Santo em meados da década de 70.
                        Trata-se do crime contra Araceli Cabrera Crespo, de 8 anos, que desapareceu no dia 18 de maio de 1973, quando regressava do Colégio São Pedro, para a sua residência, em Vitória.
                        Ela trajava vestido azul com blusa de manga, tendo  as iniciais SP grafadas em vermelho. Seu pai, Gabriel Sanches Crespo, pensando tratar-se de seqüestro, distribuiu fotografias da filha aos jornais, com o anúncio.
                        No dia 24 de maio o corpo de Araceli, nu e desfigurado com ácido, foi encontrado em um terreno baldio, junto ao Hospital Infantil de Vitória.
                        Segundo os jornais os suspeitos do crime eram Paulo Helai e Dante de Brito Michelini, jovens membros da alta sociedade capixaba, conhecidos por promoverem festas nos seus apartamentos e, na Praia do Canto, num local conhecido como Jardim dos Anjos onde drogavam e violentavam meninas.
                        Paulo e Dantinho lideravam um grupo de viciados que costumava percorrer os colégios da cidade em busca de novas vítimas.
                        Ao contrário do que se esperava, a família da menina silenciou diante do crime. A mãe de Araceli, Lola Cabrera Sanches viciada em cocaína, foi acusada de fornecer a droga para pessoas influentes da região, inclusive para os próprios assassinos.
                         A amante de Paulo Helal, Marisley Fernandes Muniz declarou em Juízo que Araceli  foi dopada com forte dose de LSD e violentada. O perito carioca Carlos Eboli constatou que a causa mortis fora intoxicação exógena por barbitúricos, seguida de asfixia mecânica por compressão.
                         Apesar da cobertura da mídia e do empenho de alguns jornalistas, o caso ficou impune. Araceli só foi sepultada três anos depois. Sua morte, contudo, ainda causa indignação e revolta.
                         O Dia Nacional Contra o Abuso e a Exploração Sexual Infanto-juvenil foi criado em 18 de maio de 1998 para manter viva a memória nacional, reafirmando a responsabilidade da sociedade em garantir os direitos de todas as crianças brasileiras.  O lema do movimento é “Esquecer é permitir. Lembrar é combater”.
 
 
 
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publicado às 18:40

A betoneira e a carroça

por Fernando Zocca, em 27.07.09

 

As pessoas vivem em comunidades e, nos lugares mais atrasados, parece que algumas pretendem dominar a região impondo suas vontades pela força de animais.
                                   Geralmente a insanidade, a ignorância e a estupidez fazem com que algumas almas doentias ajam impelidas pelo ódio e a inveja. Com o senso embotado pelo álcool, tabaco e outras drogas, essas pessoas tem o julgamento equivocado embasadores de atitudes impulsivas próprias dos loucos.
                                   Não é raro o cometimento de crimes contra a vida, praticados contra algumas vítimas que mal podem se defender. É o império da violência, do machismo, do autoritarismo, que ainda viceja forte, em algumas regiões da cidade.
                                   O predomínio da grosseria significa a derrota da educação, da própria política educacional do município, dos bons modos, da cordialidade no trato, que são valores pelos quais o homem brasileiro é conhecido.
                                   O sistema educacional da cidade vê em tais casos, a ineficácia de suas ações e intenções. A prevalência da estupidez, reforçada por percepções doentias e fora da realidade, indicam uma região mórbida na urbe, que os responsáveis políticos se recusam a enxergar.
                                   A omissão das autoridades legislativas e do executivo sugere a cumplicidade nas irregularidades, que atentam descaradamente contra a ordem legal do município.
                                   Assim, estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços escudados por atitudes negligentes, desses ocupantes do mando, agem desafiando a lei, não preenchendo os requisitos exigidos pelas normas.
                                   Então bares, oficinas, e outras atividades que deveriam apresentar alvarás, quitação de taxas e demais impostos, atuam sem a mínima observância das tais exigências.
                                   Sem recursos o município vê-se obrigado a buscar verbas junto aos governos estadual e federal para pagar suas contas.
 
 
 
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publicado às 14:42

Curtindo o Bom Couro

por Fernando Zocca, em 24.07.09

 

Curtume é o nome que se dá ao local onde se trabalha o couro cru com o objetivo de deixá-lo utilizável para a indústria.
 
Há muito tempo se conhece os modos de curtimentos das peles e couros. Entre eles há o da desidratação, técnica simples que utiliza algum tipo de sal. O mais comum é o cloreto de sódio, também conhecido como sal de cozinha extraído do mar. Existe também a prática química de curtimento, pela qual se usam substâncias tanantes (conservadores vegetais ou minerais) no colágeno.
 
As substâncias tanantes são extraidas de alguns tipos de cascas de árvores, que apresentam grande teor de tanino. Esta substância impede a ação dos  fungos e bactérias que degradam naturalmente o tecido animal.
 
Atualmente a substância mais utilizada pelos curtumes é o cromo III. Esta escolha se dá pela maior agilidade na prática do curtimento, barateando os custos, tornando o couro mais comerciável. 
 
As etapas do curtume  são as seguintes:
 
Salga. Nesta fase o couro é transportado, salgado e armazenado por vários dias.
 
Remolho. Neste momento retira-se do sal, e inicia-se o primeiro passo para a transformação de pele em couro.
 
Depilação. Nesta etapa utiliza-se o enxofre, em sua forma de sulfato ou sulfeto de sódio, para dissolver os pelos.
 
Caleiro. Este é o momento onde se adiciona o cal hidratado que provoca o intumescimento das peles, promovendo a limpeza entre as fibras.
 
Desencalagem. Depois da limpeza entre as fibras, retira-se o cal, e inicia-se a acidificação e o curtimento. Nesta fase utilizam-se alguns tipos de enzimas para auxiliar a retiradas das substãncias que resistiram ao caleiro, a este instante dá-se o nome de PURGA.
 
Acidificação e Curtimento. Neste momento, agregam-se aos couros uma quantidade de ácidos inorgânicos corrigindo o pH das peles acrescentando também o cromo e o alumínio.
 
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publicado às 19:05

A Fita Métrica

por Fernando Zocca, em 24.07.09

 

Van Grogue, naquela manhã de quinta-feira, sob a marquise do Banco da Colônia, na praça central de Tupinambicas das Linhas, chegou arfante. Trazia um cigarro, semi-consumido, entre o indicador e o médio da mão direita. Seus olhos arregalados procuravam um lugar vazio num dos três bancos ocupados pela galera folgada.
 
O pessoal, que matraqueava despreocupado, assustou quando Grogue chegou. O silêncio pairante, no local, eliciou a expressão emitida por Van, que mandou assim, na bucha, numa chuva de perdigotos:
 
- Vocês estão pensando que arma de destruição de massa, é um gordinho comedor de pizzas?
 
Em qualquer outra localidade do terceiro mundo, aquilo poderia ser interpretado como ato hostil de alguém maltratando um grupo inofensivo e brincalhão. Mas estávamos em Tupinambicas das Linhas, um trecho do universo conhecido por concentrar a maior quantidade de pirados jamais vista, durante toda a história da humanidade, sobre a face da terra. Por isso, e também por ser a figura conhecida, ninguém deu muita bola.
 
Mas Van Grogue era daqueles que confundia nas novelas a personagem com o ator. Misturava também, o infeliz, na literatura, as estações pensando sempre que os escritores escreviam sobre ele nos jornais ou falavam mal da sua terra, nos programas radiofônicos. Ora, os menos burros sabiam que aquilo era manifestação duma das facetas da paranóia. Mas os espertos e safados, procuravam botar lenha na fogueira, quando o provocavam, dizendo que esse ou aquele fulano falou ou escreveu algo sobre ele de forma disfarçada.
 
Um dos presentes, notando o rosto afogueado do Grogue, perguntou-lhe:
 
- Tá nervoso Van? Vai pescar!
 
 Van Grogue jogou a bituca para trás, sobre o ombro direito, não se importando, se poderia atingir alguém ou não, e então respondeu:
 
- Só se for pescar bosta! Esse riacho tá tão poluído que dá até vergonha, só de falar.
 
Alguém, lá na ponta direita da turma, lançou outro assunto na roda:
 
 - Tupinambicas das Linhas cresceu demais! Acho que a cidade já tem uns três mil habitantes! Está insuportável agüentar esse movimento!
 
- Realmente! É muito esquisita essa terra. Vocês não souberam que a professora da escolinha, foi pega fazendo bobagem com um moleque de 12 anos? Minha nossa! Deu o maior sururu!
 
Chuma, que estava de orelha em pé, arrematou:
 
- A tarada é casada com o Banja. Ocês não se lembram dele? Foi ele quem trouxe um museu de cera, montado num ônibus enorme, e exposto aqui na praça, já faz algum tempo. Então... Havia até uma figura de toureiro. O volume da calça dele dava a idéia de que tinha um documento forçudo. Essa tal de professora quis ver e, pensando que estava sozinha, no ambiente, abaixou a calça do boneco. Ela queria, porque queria, ver o tal do pipi de cera. Rapaz! Deu um cu-de-boi dos infernos. Se o Banja a deixar, pode até haver casamento entre ela o moleque.
 
Clique Douglas, que se mantinha alheio à prosa, resolveu dar seu palpite:
 
- Tudo degenerado! Isso é uma vergonha pra nação brasileira! Essa mulher, com 45 anos... mas será o impossível?"
 
Nesse momento, todos falavam ao mesmo tempo, quando uma magricela, baixinha, parecida com uma lagartixa doida, passou pelo grupo. As canelas finas denotavam que o design fora projetado pra locomoção sentada, na poltrona dos automóveis.
 
A encardida bateu a cinza do cigarro, na direção ao aglomerado, num gesto de desprezo, como se dissesse: “Bando de carniça! Gente ruim! Pancadas!"
 
Nesse momento um carro forte, trazendo a bufunfa abastecedora dos cofres do banco, estacionou perto da turma. O motorista não desligou o motor. A fumaça produzida irritou a galera, que se afastando, criticava, malhando o péssimo sistema econômico nacional.
 
 
Fernando Zocca.
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publicado às 01:07

Credores inclementes

por Fernando Zocca, em 23.07.09

 

Durante esta semana o Brasil pôde ver o baixinho campeão do mundo pela seleção brasileira de futebol, Romário ser detido numa delegacia do Rio de Janeiro. A quizumba aconteceu porque ele não teria pago a pensão alimentícia que se comprometera a pagar, num acordo feito no processo de separação.
 
                        Depois de dada a notícia o staff do artilheiro mobilizou-se reunindo a importância reclamada. Satisfeitas as exigências da parte queixosa, Romário voltou à liberdade.
 
                        Esse não é o único problema jurídico que o ex-atacante enfrenta: um de seus bens, uma cobertura avaliada em milhões de reais está penhorada e vai a leilão por esses dias. O início do problema, com um vizinho, deu-se porque a reforma do apartamento do ex-jogador, causou uma infiltração na propriedade situada no andar de baixo.
 
                        Apesar de ser avisado Romário não teria dado atenção e deixado o processo seguir. Deu no que deu.
 
                        Além disso, segundo notas dos jornais do Rio, Romário teria se envolvido numa espécie de pirâmide da sorte, na qual teria perdido muito dinheiro. E para completar, além do IPVA, do IPTU, cerca de R$ 600 mil com Zagalo e outros que tais não adimplidos,  o Imposto de Renda rondaria o campeão.
 
 
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publicado às 21:08

Os caminhos da pescaria

por Fernando Zocca, em 22.07.09

 

                        O pato Donald havia acordado com muito mau humor naquela manhã fria. Ele bocejara e se espreguiçara fazendo estardalhaço. Logo depois ele foi ao banheiro e escovou o bico, chamou os sobrinhos lembrando-os que tinham marcado uma pesaria e, que já estava na hora de seguirem para o rio.
 
                        Os meninos acordaram contrariados, pois queriam dormir mais um pouco, mas não puderam: esbravejando Donald fez com que eles saíssem logo da cama.
 
                        Todos tomaram o café da manhã e seguiram então para a aventura. No meio do trajeto encontraram situações difíceis de resolver.
 
                        Numa delas o pato parou diante de uma encruzilhada. Por um dos caminhos ele chegaria mais depressa ao rio onde poderia pescar. Mas deveria passar por um terreno cercado, onde havia placas que diziam: Cuidado. Não atravesse. Terreno particular. Cães bravos.
 
                        Pela rota comum que seguia, Donald achava que também chegaria, mas estava bastante penoso e cansativo.
  
                        Donald nunca passara por uma situação daquelas. Não naquelas proporções. Ele sentia muito medo, mas não queria ser taxado de pato bocó. Ele sabia que estava errado, mas não conseguia evitar a tentação de atravessar o local proibido.
 
                        Parado no meio do caminho, Donald pôde perceber que os três cães dentuços, que guardavam o terreno, traziam coleiras nas quais havia seus nomes escritos.
 
                        Firmando a vista, o pato sem nenhuma dificuldade leu nas coleiras o nome de cada um dos cachorros. Numa delas estava escrito Cecé, na outra, Aikidô e na outra ainda havia grafada a palavra Kodgo.
 
                        Ao ver a feição dos bichos, Donald concluiu que eles eram mesmo ferozes e que o dono deles era também muito poderoso, podendo castigar com  severidade quem se atrevesse a violar aqueles avisos antes escritos.
 
                        Donald resolveu continuar no seu caminho considerado penoso, mas bem mais seguro.
 
                        Depois de algum tempo o grupo chegou ao rio e todos puderam pescar felizes.
 
                        Durante a volta Donald sentiu fome não se importando em disfarçar a feição tensa que o desconforto lhe causava.
 
 
Fernando Zocca.
 
 
 
 
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Batendo o Martelo

por Fernando Zocca, em 20.07.09

 

Quem poderia imaginar um encontro entre a tia Ambrosina e Van Grogue? Pois ele aconteceu mesmo. Foi assim:
 
O biriteiro Grogue, que já ostentava uma cabeleira quase toda branca, saiu do boteco do Maçarico, depois da pingaterapia do dia e, ao tentar atravessar a rua, quase foi atropelado pela velha senhora, proprietária do maior latifúndio urbano do Estado de São Tupinambos, a tia Ambrosina, que dirigia o Tucson recém-adquirido.
 
Além de acionar a buzina, com bastante indignação, por ter alguém tão estrumbicado, atrapalhado sua passagem, a mulher abriu a janela lançando impropérios contra o infeliz cambaleante.
 
- Sai da minha frente, ô pobre inferior! Será que me atrapalha só porque tenho parentesco com os donos da cidade? Vai querer chicote?
 
Então Van Grogue, bem atordoado, mas lembrando-se da pessoa que o ofendia respondeu:
 
- O quê, tia Ambrosina? Todo mundo sabe que a senhora quer regular a vida dos outros; que trata todo mundo como se fosse retardado mental. E todos sabem também que a senhora tem o que tem, por ter roubado a herança das outras pessoas. Quem a senhora pensa que é para responder por quem não lhe deu procuração? Quem a senhora pensa que é para difamar a todas as pessoas com quem não simpatiza?
 
Tia Ambrosina, percebendo que os gritos na rua chamavam a atenção dos vizinhos, puxou com força o freio de mão do caro e, pondo-se a esgoelar, botou a cabeça pra fora da janela:
 
- Van Grogue do inferno, vou mandar internar você, seu retardado mental, seu down fugitivo da psiquiatria; vou acionar o Silly Kone e garantir seu ingresso no sanatório, sua besta inútil!
 
- Devolve minha herança, velha maldita. Tire seus cachorros cancerosos de cima de mim! Ladra surrupiadora do dinheiro que o povo entrega à prefeitura para pagar o que é imposto. Saia logo com sua corriola de mágicos da cidade!
 
A tia Ambrosina sentiu-se mal naquele momento. Pensou em ligar para Tendes Trame, Jarbas o caquético, mas conteve-se. Encolhendo-se no banco, fechou o vidro e arrancou sem dizer mais nada.
 
Ela estava mesmo ficando velha. Já não apreciava tanto os bate-bocas fenomenais do passado, que a celebrizaram tanto. Pensando em desistir de tudo, inclusive apagando um blog que iniciara para comentar a política de Tupinambicas das Linhas, Ambrosina pisou fundo no carrão, saindo de uma vez por todas, das proximidades donde estava aquele biriteiro energúmeno. Na vizinhança alguém batia um martelo com alguma insistência.
 


Fernando Zocca
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publicado às 13:51

Absolvendo culpados, condenando inocentes

por Fernando Zocca, em 16.07.09

 

Você já percebeu a existência de pessoas que se sentem as donas da cidade? O sujeito pode achar-se o “dono do pedaço” quando por obra da corrupção vê-se reeleito cinco ou mais vezes para o exercício do mandato parlamentar.
                        O “proprietário” da cidade age como se realmente estivesse agindo dentro da sua própria casa ou da sua fazenda. Os contumazes ocupadores dos cargos eletivos atribuem o seu sucesso, mais ao “carinho” que podem ter do eleitorado, do que às manobras corrompedoras da vontade do eleitor.
                        “Mas, espera um pouco ai...” - pode tentar contestar nosso arguto leitor - “De que forma corromperiam os tais homens a vontade do cidadão?”.
                        Algumas pessoas sabem que o nobilíssimo presidente do legislativo piracicabano, numa audiência pública, havida há algum tempo em Piracicaba, discursou defendendo a tese de que se o candidato não ofertar mimos aos seus simpatizantes, certamente não se elegerá.
                        Dizia naquela ocasião, o preclaro homem político interiorano, que se o postulante não pagasse as contas de água, luz, oferecesse dentaduras, cestas básicas e conseguisse vagas hospitalares aos necessitados, ele não teria chance de ser alçado ao cargo pretendido.
                        Então o que vemos ai não deixa mesmo de ser a realidade anunciada pelo presidente da casa de leis piracicabana. O político tem que praticar bastante o seu lado “assistente social”.
                        Se o meu leitor esperto fizer uma conta bem simples, notará que os benefícios que os ocupantes dos cargos eletivos causam aos mais pobres são muito inferiores ao que lucram no final de doze meses de salários.
                        A perpetuação no poder vicia as instituições que passam a funcionar como se fossem propriedade do seu tutor, benfeitor, em detrimento do caráter impessoal que deve ter toda e qualquer instituição pública.
                        Então, especialmente numa cidade pequena, qual funcionário de repartição se negaria a conceder favores ao político que ocupa a vaga há quinze ou vinte anos? Ai está a base, o cerne, do tráfico de influencia.
                        E o que pode a lei ante o tráfico de influência? Você pode ter todos os argumentos, razões, provas e formas de expressão de um litígio do qual faça parte. Mas numa cidade onde as instituições estão cancerosas e disfuncionais de que lhe valeria o direito?
                        Não é difícil você mesmo constatar que o “jeitinho” brasileiro nada mais é do que a utilização da amizade pessoal e da opinião pública, para a solução injusta de problemas.
                        Com esse tipo de filosofia, com muita facilidade, absolve-se com freqüência o culpado e condena-se o inocente. Que maldita justiça é essa?
                        E sabe o que acontece depois? Os corruptos tentam enfiar-lhe goela abaixo outra solução “semelhante”. Os poderosos agem assim igual ao farmacêutico criminoso que não tendo o remédio que a receita lhe pede, procura empurrar-lhe outro similar.
                        Assim vamos indo. Eles lá saciados, satisfeitos, irônicos,  enfadados, com os cofres e contas bancárias transbordantes e nós, da mundiça catinguenta, aqui a observar sem poder fazer nada.
                        Falta muito para que o MST comece a praticar a ordem unida?
 
Fernando Zocca.
 
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