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Deixa ele...

por Fernando Zocca, em 21.02.17

 

 

 

 

 

 

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Quem teria a cara de pau de, estando um casal hospedado num hotel, em lua de mel, aparecer de surpresa, sem ser convidado, e fazer gracinhas?

Quem teria a coragem de irromper na casa daquele a quem o considerava um bom colega pedindo-lhe emprestada a máquina de escrever com o objetivo de preencher, com falsidades, os documentos constituintes dos direitos de aposentadoria, de uma centena de pessoas, junto ao instituto de previdência social?

Quem teria a audácia de convidar vários casais de pessoas amigas para passarem uma noite na chácara onde semanas antes abusara sexualmente duma menor de idade, criando desta forma, situação que causaria dúvidas sobre a autoria do crime?

Quem, meu amigo, quem se tornaria proprietário de posto de gasolina só pra se aproveitar das mocinhas ingênuas previamente contratadas para os supostos cargos de encarregadas da administração?

Quem a não ser ele, o mais fenomenal, esperto, satírico, satânico, lascivo e indestrutível Donizete Pimenta Aarder seria assim tão capaz de tantas artimanhas, safadezas e esquisitices mil pra ver-se satisfeito diante do sofrimento alheio?

Quem viveria da jogatina de baralho nas sedes sociais dos clubes de futebol, ganhando e perdendo dinheiro e automóveis?

Quem, a não ser o finório Donizete Pimenta Aarder, responderia a todos que lhe perguntassem o que fazia no momento, com “o que se faz aqui, nesta cidade? Se tivesse praia, eu estaria lá. Antigamente havia o clube de Regatas. Nessas horas, com esse calor, eu estaria na piscina”?

Quem teria a caradura de entrar numa agência de automóveis e, emitindo um cheque sem fundos, “comprasse” um veículo zero quilômetro e depois, respondendo sobre se havia ou não fundos para o cheque, responderia com a ideia de que até a devolução do documento ele teria a posse do carro e poderia, enquanto isso, viajar ao Rio de Janeiro, (onde ingeriria sucos das mais variadas frutas), a fim de possibilitar a aceleração dos tramites burocráticos que possibilitariam a obtenção de mais um benefício previdenciário fraudulento?

Quem, hã? Quem a não ser o inabalável Donizete Pimenta Aarder o finório inquebrantável e sempre sujeito oculto da polícia e do ministério público, seria capaz de perder no carteado, a casa em que morava com suas filhas, deixando-as desamparadas?

Entretanto, quando informaram ao Delegado de Polícia sobre os deslizes atuais da tal figura, a autoridade teria respondido num tom que amedrontaria até ao mais frio e calculista meliante:

- Deixa ele... Deixa ele pra mim que ele vai ver como as coisas funcionam...

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publicado às 14:54

Enrique

por Fernando Zocca, em 08.02.17

 

 

Luisa Fernanda, a gazela tímida, não se manifestava a não ser por codinomes. E isso quando não estava invariavelmente bêbada.

Um dos seus apelidos era: a Gazelinha Corinthiana. 
Sua história era bem triste: o marido, cansado de sentir o bafo de cachaça que emanava daquela bocarra, não teve alternativa do que a de encontrar afago nos braços duma outra qualquer.

Cornuda, Luisa Fernanda Demorais não via mais nenhuma satisfação a não ser na pinga que, aliás, foi o líquido muito usado também por sua mãe.

A velhota, baixinha, gorduchinha, e que sempre gostou de fazer fézinhas no jogo do bicho nutria certa desconfiança das atitudes do seu marido, o pai da Luisa, flagrado inúmeras vezes usando cuecas e meias cor-de-rosa.

Dona Lurdosa relevou os disparates do maridão até o momento em que descobriu um fato imperdoável: o sujeito usava, às ocultas, calcinhas vermelhas esvaídas.

O velho que gostava de churrasco não parou de consumir a carne nem mesmo quando descobriu ser portador do câncer.

Luisa não se esquecia dos conselhos que sua mãe sempre lhe dava antes de sofrer um piripaque mortal:

- Enrique, minha filha, enrique. Se não enricar você se complica sem solução.

Diziam que quando vivenciava aqueles frequentes momentos "pra lá de Bagdá" Luisa Fernanda Demorais, chorosa, abraçava e beijava a boca da cadela Magna dizendo:

- Minha filha, que mundo cruel: eles não sabem o que fazem. Acabaram comigo. Levaram muito a sério quando eu lhes pedia um motivo. Se você fosse gente, minha neném peluda, latideira e mal-cheirosa, eu lhe pagaria um curso na universidade. Seria uma advogada e nós processaríamos os desalmados.

Para sentir-se compensada, por ter perdido o parceiro, Luisa fez um juramento: tornar-se-ia um verdadeiro cupido.  Veria nas uniões que arranjaria, o consolo para aquela tão funesta frustração.

- Oh céus – chorava a melindrosa, andando descalça em torno da piscina - Vou dar um churrasco inesquecível. Convidarei mil gentes. Se não emparceirar pelo menos 10 convivas não me chamarei mais Luísa Fernanda Demorais, a que mordisca chuletas e maminhas.  

 

 

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publicado às 02:05

O Portão

por Fernando Zocca, em 28.12.16

 

 

 

 

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Henriqueta Fossa e Elisa Buffa conversavam na esquina:
- E aí, amiga? Sarou da ressaca? - perguntou Elisa.
- "Mardita" pinga aquela que me deram... Me fez um "mar" terrível - respondeu Henriqueta.

- Toma um chá de boldo, comadre. Você vai ver tudo melhora - consolou Elisa. E depois concluindo:
- A senhora já passou dos 82 anos. Não seria bom parar com a talzinha?

 - Que nada filha... O que é que a gente vai fazer numa quiçaça dessas? Se não tem o boteco, o que a gente faz?
- Mas dona Henriqueta... E o crochê, minha nega? - provocou Elisa.

- E lá eu sou velhota de crochê? Ora faça-me o favor dona Elisa. E me dê licença que meu feijão está no fogo; parece que a panela tá bufando.

- Vai dona Henriqueta... Vai... Vai tomar... Lá na sua cozinha, conta do seu feijão.

Depois do almoço, lá pelas três horas da tarde, Henriqueta saiu de casa e foi direto ao armazém da esquina onde pretendia comprar o leite e o pão para o café da tarde.

Como não gostava de caminhar pela calçada, a velhota, alta, magra, desengonçada, que falava grosso devido a um problema na garganta, iniciou o percurso pelo meio da rua.

Enquanto caminhava um automóvel vendendo pamonha anunciava pelo alto-falante:

- Olha a pamonha, senhora dona de casa. É o legítimo creme do leite. É a pamonha de Tupinambicas das Linhas. Venha conferir minha senhora...

Henriqueta sentiu-se incomodada. Teria sido aquela funesta Elisa Fossa, a vizinha maledicente a responsável por essa gandaia toda no quarteirão? Quem é que aguentava tanta judiação?

Não teve tempo de concluir o seu raciocínio porque já tinha chegado ao armazém.

Havia um pessoal aglomerado, esperando numa fila, a vez de pagar o que comprara, no caixa.

Sentindo-se insegura Henriqueta imaginou que se estivesse na sua cidade natal, Salvador, na Bahia, estaria bem menos nervosa.

- Seu Messias, eu quero 24 pães. Me põe em dois sacos, faz o favor. E me dê também um litro de leite de caixinha. De saquinho já ando cheia.

Messias conhecia bem a figura. Olhou-a por cima dos aros dos óculos e disse:

- Ô Almeida: atende a dona Henriqueta. Que ela tem pressa.

Almeida, atrapalhado com as suas 1001 ocupações no armazém, deixou o que fazia e atendeu a freguesa dando a ela o que pedira.

Saindo com os embrulhos Henriqueta sentenciou:

- Põe tudo na minha conta, seu Messias, lindinho da vovó, que no final do mês a gente pagamos.

Messias tirou a caneta que estava equilibrada na orelha direita e anotando a despesa numa folha de papel, passou a receber o dinheiro dos demais que estavam na fila.

Na volta, caminhando pelo meio da rua Henriqueta sentiu-se obrigada a usar a calçada porque um caminhão vendendo gás de cozinha passava anunciando, tendo ao fundo a sinfonia Für Elise, do compositor alemão Beethoven,  a mercadoria pelo alto-falante:

- É o gás, meu amigo, minha amiga e senhora dona de casa. Aproveite a promoção. Leve agora o seu gás e ganhe um brinde lindo.

Chateada Henriqueta chegou a sua casa. Quando se preparava para tomar o café alguém tocando, com insistência a campainha foi logo lá de fora gritando:

- Como é sua velha safada!!! Quando vai pagar os 182 reais que me deve?

Era Elisa Buffa que, acarinhando a barbicha branca de um bode velho, parada defronte ao seu portão, incomodava-a mais outra vez.  

 

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publicado às 17:26

O Bicho de Sete Cabeças

por Fernando Zocca, em 22.11.16

 

 

 

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O enunciado é bíblico: a paz vem da justiça. Certamente a turbulência pela qual passa o Brasil decorre dos grandes desníveis sociais causados, antes de tudo, por situações de corrupção.

Não gera certa indignação, revolta, quando se sabe que, por exemplo, engraxates da câmara de vereadores de São Paulo ganham até 10 mil reais mensais, enquanto que muita gente estudada, formada nas mais supimpas universidades brasileiras, come o pão que o diabo amassou?

A situação está tão feia que até mesmo a criatividade precisa ser muito bem pesada, medida e meditada.

Num desses dias de muita atividade física, no Parque do Piracicamirim, conheci um cidadão, que pretendendo fazer um filme, pensou logo no script que continha, na trama, a história dum gato que tinha sete vidas.

- São sete vidas, sete histórias interligadas – dizia ele entusiasmado, enquanto caminhava ao meu lado, no parque.

- Se são sete vidas, sete gatos, certamente serão sete cabeças – ponderava eu.

- Sim. O tema não é inédito, mas imagine se essa história vira livro de sucesso, peça de teatro, filme... Saio logo da pindaíba, compro apartamento e até carro novo – contava ele, olhando pro chão, tentando desviar dos buracos do calçamento.

- É... Você poderia ficar mais famoso que o Rodrigo Santoro naquele filme “Bicho de Sete Cabeças” dirigido por Laís Bodanzky.

- É isso mesmo, cara! – concluiu o atleta de fim de semana. Já pensou na fama, no tanto de dinheiro, que isso tudo pode dar?

- Ah, sim, com certeza – confirmei. – Imagina depois disso tudo, a ventura, a felicidade, no romance, no amor, como o vivido com a Luana Piovani. Você não ficaria famoso só em Piracicaba. Mas no mundo inteiro também.

- A gente poderia incrementar a história colocando uma arena, touros bravos, capas vermelhas, toureiro barrigudo, muita cena de sangue, suor e cerveja... – continuava a divagar aquele esboço de diretor de cinema.

- Hãhã – concordava eu pensando no quanto os problemas provocados pelo arruinamento das relações familiares influiriam negativamente no imaginário e no comportamento das pessoas.

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publicado às 17:38

Dois Senhores

por Fernando Zocca, em 18.06.16

 

 

 

O governo da petista Dilma Rousseff tem como objetivo maior a política voltada ao povo.

Essa orientação diverge das ações do governo em exercício que demonstra privilegiar a classe política dirigente.

Na filosofia da primeira notamos os programas projetados para a satisfação das necessidades populares. Então O Minha Casa Minha Vida não tem outro escopo que não seja o de contemplar, com habitação própria, a milhões de pessoas hoje ocupantes dos cortiços e favelas.

O Bolsa Escola favorece, com incentivo financeiro, as famílias que têm crianças na idade escolar e não teriam como mantê-las estudando sem esta atenção especial do governo.

Da mesma forma, com este mesmo espírito de auxílio, de colaboração, existe o financiamento da agricultura, voltado aos agricultores familiares e às pequenas empresas do ramo.

O programa Mais Médicos objetiva a arregimentação dos profissionais da área da medicina dispostos a atenderem as populações residentes nas regiões mais afastadas dos grandes centros industriais e populacionais. 

Veja que a neutralidade do governo central relacionada às investigações da polícia federal que tem investigado, levado a julgamento, obtido a punição dos culpados envolvidos nos atos de corrupção, demonstra também que vale menos a salvação dos malfeitores do que a satisfação da sede e senso de justiça do povo.

Percebemos, por outro lado, a política direcionada às elites, à classe política dirigente, quando as intenções de abafamento das investigações contra a corrupção, e até mesmo com a promoção de mudanças na lei da delação premiada, pelo chamado “governo golpista”, começam a tomar vulto.

A política não pode servir a dois senhores ao mesmo tempo. Ou dá ao povo o que é bom para ele ou a César o que o revigora.

Neste sentido, desta forma, notamos que a intenção ingênua de agradar aos dois senhores, com as isenções fiscais feitas às indústrias, pelo governo federal, não trouxeram nada mais do que déficits de caixa dos tesouros públicos com a consequente necessidade de socorrer-se das reservas do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, quando do pagamento dos seus programas sociais.

É bom relembrar que essas operações bancárias não são consideradas irregularidades. Foram feitas por governos anteriores não questionados sobre o assunto.

Diante do quadro econômico mundial atual podemos perceber que a situação brasileira não é a única. Os países vizinhos da América do Sul, bem como vários outros da Europa, também passam por dificuldades econômicas semelhantes.

Desta forma seria bem duvidoso atribuir somente às diretrizes financeiras do governo federal a atual situação considerada bastante crítica.

A saúde monetária do país é o resultado da comercialização das suas produções agrícolas, industriais, dos seus prestadores de serviços, tanto no território nacional quanto no exterior com as exportações.

Ora, se não há produção, ou se há, mas não existe o consumo, a venda, a exportação, estabelece-se uma estagnação bastante insuportável para alguns setores mais sensíveis.

A fórmula para a saída, desta chamada crise, não é difícil de entender: basta gastar menos, economizar e produzir mais.

Quando o governo golpista, autorizando aumentos salariais ao poder judiciário e para pagar também as suas contas, imprime dinheiro, pinta papéis, está na verdade incentivando a inflação; desvaloriza a moeda colocando bilhões e bilhões de reais sem lastro em circulação.

E, meu amigo, para um país como o Brasil não haveria nada mais desagradável do que a inflação incontrolável. Já vivemos isso no passado. Rezemos para que esse mal não se repita.

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publicado às 22:22

O Berimbau e o Piano

por Fernando Zocca, em 30.05.16

 

 

 

Ficamos felizes quando ganhamos presentes bons, úteis; mais alegres ainda se, ao recebermos os agrados, somos crianças.

Cremos que em qualquer idade, tanto na infância quanto na velhice, os presentes podem significar o grau de importância atribuída ao presenteado, por aqueles presenteadores.

Quando ainda pequenos o quanto não nos pode agradar os brinquedos recebidos de um conhecido, mesmo sabendo que eles não são novos?

A troca da posse, a mudança do domínio sobre os objetos infantis, ou mesmo das coisas desejáveis pelo adulto presenteado, indica a diminuição de certo valor do rol dos bens de quem presenteia, em troca da satisfação e prazer do favorecido.

O objeto presente, ou a coisa com que se presenteia, precisa ser próprio do presenteador; se assim não for haveria a caracterização daquela prática condenável de “fazer gentileza com chapéu alheio.”

Mas o objeto presente, isto é, a coisa com que se agrada a alguém, não é a mesma (embora até possa ser) do que o estar presente, por exemplo, numa sala de aulas ou sessão camarária.

Nem sempre presentear significa o desejo sincero de alegrar ou felicitar o presenteado; tanto é assim que o tal “presente de grego” não é salutar aos considerados amigos.

E aos que consideram que “ninguém dá ponto sem nó”, a função do presente seria a da obtenção da satisfação posterior.

Então, desta forma, não seria nada esquisito que, numa determinada época do ano, alguém presenteando seus concidadãos com um pé de sapato, do tênis caro, ou mesmo com a metade duma nota de dinheiro, prometesse doar a outra parte, logo depois de eleito.

Revestidos de retribuições são os presentes que se obtém na forma de vitórias nas licitações públicas de determinadas cidades, estados ou país.

Já imaginaram o que seria de certos candidatos sem as empreiteiras que lhes financiassem as campanhas?

Nem sempre a troca de presentes está restrita às datas importantes, como por exemplo, no Natal. Neste sentido o entendimento de presentear deve ser o de troca de favores; ou seja: “Você me dá a grana pra financiar a campanha e eu te dou o direito (por passes de mágica nas licitações), de fazer as obras públicas com os superfaturamentos rendosos, é claro”.

Mas presentes bons mesmo são aqueles que suprem necessidades, carências, precisões.

De nada serviria a alguém receber algo que já tivesse. Então, camisas para os descamisados, sapatos para os pés descalços, casas para os desabrigados, empregos para os desempregados, e amores para os mal amados, não seriam presentes desnecessários.

Se o berimbau e o piano têm cordas ou fios não são as crianças que o sabem. Melhor presente seria informar sobre o desconforto que as traquinagens infantis causariam aos adultos do que levá-las ao cometimento dos atos condenáveis pela família e a sociedade.

Mas político não é professor, compreende? Se para este o objetivo é conduzir seus alunos aos bons caminhos e ideais, para aquele a preferência seria a de salvar-se da penúria, mesmo que com isso causasse o arruinamento das instituições da sua cidade, do seu estado ou país.

Infeliz o político que ao enganar, mentir, subtrair para si, ou para alguém, as coisas públicas, pensa que faz igual aos jogadores de futebol, que com aqueles seus dribles fabulosos, enganam os adversários, levando o seu time à vitória.

 

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publicado às 11:34

O Destino Final

por Fernando Zocca, em 22.05.16

 

 

 

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Que auxílio mais significativo, os fabricantes norte-americanos de veículos, poderiam receber do seu governo?

É claro que não haveria incentivo maior, para a produção de carros e caminhonetes grandes, como a redução dos preços dos combustíveis.

Então, se as vendas andavam raras, com essa “forcinha” governamental, baixando os preços da gasolina, e os outros derivados do petróleo, a indústria e o comércio dos veículos, conhecidos por consumirem muito combustível, estão agora sob bons ventos.

Não há como negar que a proximidade das eleições inspiraria esse e muitos mais outros atos oficiais componentes do enorme pacote de bondades ofertados pelos ocupantes da Casa Branca.

Nesses tempos são mais fortes os motivadores da queima despreocupada dos derivados do petróleo – retirados do subsolo e incinerados na atmosfera – do que a minimização do desconforto dos ambientalistas queixosos da contaminação do ar, da água e da terra.

A corrida presidencial para ocupar a Casa Branca chega a um momento em que os Democratas, há já um bom tempo na presidência, ainda não decidiram quem será o seu candidato real: se Hillary Clinton ou Bernie Sanders.

Os Republicanos, que no Brasil se equivaleriam ao PSDB, despontam com Donald Trump, um bilionário obcecado em defender os valores, as instituições, o povo norte-americano, com a construção de muros na fronteira do México e com a proibição da entrada dos muçulmanos no país.

Hillary é esposa do ex-presidente Bill Clinton que participou de um episódio escandalizante da instituição, quando manteve relação amorosa com a estagiaria Mônica Lewinski (foto), num dos salões da Casa Branca.

A estagiária escreveu até um livro contando a história. Diziam as más-línguas que logo depois dos fatos tornarem-se do conhecimento da opinião pública, ela não podia ver alguém chupando sorvete, pirulito, ou tocando flauta doce, que adoecia.

Mas Hillary é a primeira mulher com grandes possibilidades de exercer o cargo de presidente dos Estados Unidos. Essa tendência das mulheres ocuparem os mais importantes postos de comando é mundial. No Chile, Argentina, Alemanha e Brasil as mulheres superando os limites, foram eleitas, governam e governaram sem maiores problemas.

Quando o machismo cruel deixa de influir de forma tão sufocante parece que a fluidez de tudo fica mais favorável.

Mas é certo também que a incompreensão, a falta de paciência e a queda para as atitudes precipitadas podem, utilizando dois pesos e duas medidas, abreviar de forma bem injusta, o mandato de quem o obteve legitimamente.

São raros os golpes destituidores de presidentes e chefes do executivo nas nações mais antigas. Há quanto tempo não se fala nisso na Itália, França, Alemanha, Espanha, Portugal e outros?

Talvez o mais constante uso dos meios racionais de resolver os problemas – em detrimento dos impulsivos - seja o componente indispensável das causas da paz aparente nestes países.

Afinal, conversar vale mais do que agredir com “voadoras” o suposto adverso. Dialogar custaria menos do que os bofetões e safanões em quem não poderia concordar com o que não lhe agradasse.

Não devemos fazer aos outros o que não desejaríamos que fizessem conosco. É bom, salutar até, que façamos a alguém tudo o que gostaríamos que nos fizessem.

Desta forma muitos conflitos se resolveriam; haveria sossego e muitos mais bons momentos durante essa caminhada até o destino final.

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publicado às 18:16

Árvore alta

por Fernando Zocca, em 03.04.16

Neste verão passado, chuvas torrenciais, muita água e vento, durante as tempestades, derrubaram milhares de árvores na capital paulista.

Houve muitos prejuízos materiais, feridos e até mortos. A imprevisibilidade e a negligência podem estar no rol das causas dos tantos males sofridos pelos cidadãos.

Quando a gente vê uma árvore muito grande, bem alta, já envelhecida, com o tronco muita vez circundado por parasitas, pode imaginar que suas raízes já não são as mesmas. Então quando surgem as ventanias elas simplesmente não aguentam vindo ao solo causando a destruição.

Aqui em Piracicaba existem centenas de árvores muito altas, cujas copas espalhando-se pela vizinhança do tronco, acumulam muita água das chuvas tornando o peso praticamente insuportável para as raízes já não tão saudáveis.

Muitas e muitas pessoas diante de um problemão desses liga para o 156 da prefeitura comunicando a possibilidade dos estragos que a situação pode causar.

Mas nem sempre os moradores são atendidos. A posse dos protocolos e mais protocolos, da entidade pública, solicitada a resolver os problemas, não vale nada.

O sujeito perde mais tempo indo atrás das pessoas responsáveis pela solução destes imbróglios do que ganha esperança de resolvê-los.

E quando a canseira é bem maior do que o medo de que a queda da árvore possa danar os automóveis, os telhados, os muros e as casas dos moradores, então não resta nada mais do que rezar pedindo a Deus o livramento das chateações tamanhas.

Apesar de existirem normas reguladoras desse assunto donde emanam enunciados de que quem promover o corte ou a poda da árvore, existente na rua, pode ser apenado com multas pesadas, ainda, mesmo assim, tem quem destrua a planta existente defronte a sua casa.

E como geralmente quem faz isso é muito “esperto”, aos possíveis questionamentos das autoridades, sempre poderá responder que “ela estava podre e morreu”.

Uma técnica observada, com muita frequencia, na ação fatal contra as árvores, é a do anelamento que consiste em tirar a casca do tronco, na altura da raiz.

Passadas algumas semanas depois deste ato vandálico, o vegetal começa a secar. Da mesma forma que o cão, envenenado por uma vizinha maluca, morre aos pouquinhos, sem chance de sobreviver, a árvore inicia também, sem poder se nutrir e respirar, um processo mórbido deixando cair as folhas; seus galhos logo secam inapelavelmente.

Então, da mesma forma que o dono do cão neurótico, louco, que ataca as pessoas nas ruas, ao ser questionado, afirma não ser o proprietário dele, o matador das árvores nega veementemente não ter sido ele o autor da tão condenável atitude.

O mal que habita pessoas assim é o mesmo que leva o deputado federal a receber propina depositando a fortuna no exterior.

Ou seja, não haveria um mínimo de consideração para com as coisas, inclusive as públicas. A perversidade é mais intensa do que o medo das possíveis punições que os tais meliantes possam receber.

Perceba que a alegação do desconhecimento da proibição da prática do ato destruidor da árvore pode, muita vez, encorajar a mentalidade insana a diariamente buscar a degeneração do vegetal plantado na calçada, bem na frente da sua própria casa.

Os “cabeças de burro” de um quarteirão valorizam mais os zumbidos bizorrais que podem produzir suas gargantas do que a estética e a limpeza do lugar onde vivem.

É uma pena que, ainda hoje, os ensinamentos escolares sejam insuficientes para formar personalidades capazes de valorizar mais o todo, o ambiente em que vivem, do que seus direitos de serem loucos irresponsáveis, agressores impunes, daqueles a quem antipatizam.

Mas apesar disso tudo, meu amigo, a gente ainda tem esperança de ver o sujeito que mata as árvores, o cão do vizinho, o padrasto maligno que abusa sexualmente dos enteados, a doidona que sendo portadora de afecção pulmonar, usa teimosamente o tabaco, descontando depois o sofrimento obtido, no inusitado bater violento da porta do barraco, o deputado ladrão esperto, a gente ainda tem, repetimos, a esperança de vê-los receberem o retorno, as consequencias, que merecem.

Colhe-se o que se planta.

                                        

 

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publicado às 14:24

Drone

por Fernando Zocca, em 27.03.16

 

 

 

Nunca antes em toda história do mundo houve tanto espaço para as pessoas escreverem e expressarem os seus sentimentos como agora nestes tempos da Internet.

O sujeito pode criar centenas de Blogs, páginas e mais páginas nas redes sociais, mas, mesmo assim, ainda tem aquele espírito de porco, cabeça de bagre anormal, que prefere escrever nas paredes e portas dos banheiros públicos.

É bom não confundir escrever no banheiro com garatujar nas paredes do recinto. A escritora inglesa Agatha Christie foi uma das que, da água morna da sua banheira, em Londres, escreveu centenas de histórias policiais que encantaram milhares de leitores, durante muitos e muitos anos, no mundo todo.

Mas por falar em banheiro lembrei-me de uma figuraça da política piracicabana, hoje deputado federal. Diziam que ele esteve mais tempo nos cargos legislativos do que os dinossauros no período triássico.

Com relação a essa figura, pessoa de alta estatura, fala mansa, cabelos brancos, hoje já bem encarquilhadinho, diziam as vozes das ruas, que ele gostava de passar as férias na Europa, onde nos banheiros públicos londrinos, expressava os seus afetos libidinosos diversos da conjunção carnal. 

Se era verdade ou mentira não se podia confirmar. Como não se confirmava também que há muito tempo, quando um jovem cortador de cana chegou a Piracicaba vindo num dos 100 ou 150 ônibus fretados pelo filho de um usineiro que, naquela época era pretendente ao cargo de prefeito, e conhecendo o deputado frequentador dos banheiros públicos, resolveu lançar-se candidato a vereador, mas não sem antes trocarem carícias no banheirinho do diretório do partido.

O então trabalhador braçal, transformado em candidato a vereador, lançou a sua candidatura na garagem de uma casa que ficava defronte a um estacionamento na Rua São José.

Ele começou tão bem, dando churrasco e cerveja pra quem quisesse, servidos nas mesas distribuídas na garagem do diretório, que há 28 anos ainda ocupa uma cadeira na câmara municipal. Que sorte, hein?

Essa parceria entre o deputadão de Brasília e o ex-cortador de cana (hoje ainda vereador), rendeu também certas alianças garantidoras de várias e várias gestões do partido no executivo municipal.

Quem tem mais de 40 anos sabe que Pelotas no Rio Grande do Sul e Campinas SP tinham, no passado, a fama de serem cidades onde havia a maior concentração de gays. Mas nunca se soube se o prefeito, vereadores ou deputados das tais cidades eram homossexuais, como afirmavam serem os de Piracicaba. Aqui não há quem ganhe dessa turma.

Olha já vou avisando que não tenho nada contra os gays ou lésbicas. O que não é certo acontecer é ser tachado de homofóbico por discordar da política de vereador ou prefeito homossexuais.

Da mesma forma creio ser errôneo dizer que o cidadão é racista por discordar da política do vereador negro.

Mas agora me diga: tem atitude mais absurda do que criar um curso, uma escola, para vereador recém-eleito? Quem faz esse tipo de coisa não imagina que os novos escolhidos seriam tão idiotas a ponto de precisarem de ensinamento escolar?

Como a gente sabe que as pessoas julgam pelo que elas são, não é difícil imaginar que o vereadorzinho, que tentou instalar um curso supletivo de vereador, estava naquele tempo, logo depois de eleito, mais desorientado e perdido que cego em tiroteio.

A gente brinca, mas a coisa é bem séria. Quando pomos um sujeito desses lá na câmara municipal, ou prefeitura, sabemos que é o IPTU que a gente paga que vai garantir o salário dele.

Teoricamente o camarada eleito é empregado do povo. E aí a gente pergunta: o que faz o sortudo em troca do dindim que recebe?

É bom fiscalizar, ficar atento, acompanhar as sessões camarárias. Afinal não é difícil que o sujeito que você favoreceu com seu voto venha a fazer coisas prejudiciais a todo mundo como essa recente da majoração injusta dos preços da água.

A gente sabe que tem vizinho fuxiqueiro e enxerido que nem aqueles drones. Conhece aqueles objetos voadores que, com câmeras, invadem as áreas alheias? Então...

Mas o pior mesmo acontece quando esse tipo de chato, apesar de tudo, se elege vereador. Aí já viu né? Já imaginou o tipinho discursando na tribuna da câmara municipal?

 

 

 

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publicado às 21:29

As mágicas do PSDB

por Fernando Zocca, em 17.03.16

 

 

 

 

Não é porque o sujeito ocupa um cargo no judiciário que ele estaria acima da lei. Ou seja, por ser juiz de direito pode ele divulgar publicamente resultados obtidos com os crimes de violação de privacidade?

O PSDB tem como costume, principalmente em Piracicaba, usar de mágicas. São engodos que permitem obscurecer os fatos administrativos tornando o povo alheio aos acontecimentos.

O parido usa práticas antigas de roubo de informações do mesmo tipo daquelas que transtornaram o pontificado de Bento XVI.

Este partido não é santo e nunca foi. Tem tendências fascistas e usa principalmente da covardia para manter-se onde está até hoje.

Esta política corrupta, maldita, empregada hoje aqui em Piracicaba mantém-se já por longos anos; apesar das inúmeras condenações exaradas pelos Tribunais de Contas sempre safa-se com as aprovações delas pela câmara municipal.

É esta mesma câmara que comete as maiores insanidades contra a população da cidade ao ratificar os aumentos equivocados, doidos, do serviço municipal de águas e esgoto.

Essa estratégia de transferir ao povo da cidade uma suposta punição que o partido julga ser aplicável aos seus adversários políticos é que não deixa de garantir a tamanha burrice norteadora das ações políticas dos tais penosos emplumados.

Querem estas manobras lançar o povo contra atitudes que por ventura possam ser atribuídas aos que os contradizem.

É lamentável que a bancada do PSDB na câmara municipal se negue a reconhecer que legisla contra o povo quando rejeita moções de repúdio e instalação de CPI para investigar as causas, os motivos, que levaram a autarquia municipal Serviço Municipal de Águas e Esgoto (SEMAE) a aumentarem os preços cobrados pelo consumo da água.

Com os mesmos passes de mágica que levaram ao engavetamento das investigações contra Barjas Negri no escândalo conhecido como Sanguessugas que superfaturou os preços das ambulâncias no ministério da saúde no tempo de FHC, promove agora o PSDB a escuta telefônica, viola a privacidade da presidenta da república e ainda divulga publicamente os delitos que comete. Supostos crimes não podem justificar outros.

Enquanto o eleitor vê e revê a construção de pontes, passarelas, asfaltamento das ruas já asfaltadas, construções suntuosas de prédios públicos percebe também que empobreceu e muito. O cidadão que poderia obter melhores atendimentos nos postos de saúde, nas repartições da administração, nas delegacias de polícia, nas escolas, não os têm por não serem estas as prioridades dos atuais governantes.

Esta mesmice tucana prioriza mais aos empresários, minimiza o sofrimento da população e não se preocupa muito com os possíveis flagrantes em que possa incorrer nos ilícitos licitatórios.

As mágicas administrativas tucanas são feitas de forma que não haja transparência. Querem, no entanto, os bicudos emplumados que por meios condenáveis transpareça até mesmo o mais íntimo momento dos seus adversários políticos.

Falta de respeito não se resolve com a violação de privacidade. O juiz Sérgio Moro deve ser responsabilizado pela divulgação dos resultados dos fuxicos obtidos de forma ilegal.

Fofocas de palácio, de repartição pública, de cartório, de fórum, de gabinete, de sala de audiências são condenáveis. Ainda mais quando com o objetivo de causarem danos morais são divulgadas pela imprensa. 

 

 

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